14.10.09
superman
6.8.09
vírgulas
3.7.09
distrações
17.6.09
algo esta cambiando
8.6.09
not now
o jogo
5.6.09
voando
27.5.09
combustível
24.5.09
novo de novo
15.4.09
into the wild
esse é um daqueles filmes que podem te fazer ter vontade de transformar a realidade e te faz perceber que não existem fórmulas na vida. que qualquer padrão a ser seguido é inútil porque o personagem da história não é o mesmo e por conseguinte os fatores cincundantes também mudam e alteram a essência da mistura. sendo assim modificam seu conteúdo e sua trajetória. o que eu quero dizer é que independente de tudo que se possa almejar e que caminho se busque na vida o importante não será o destino final, mas sim o que nos deparamos no caminho, a imensidão de acontecimentos que nos cercam a cada milésimo de segundo de passamos vivos. viver é sempre uma surpresa e escolher caminhos menos óbvios pode trazer ainda mais conhecimento e ampliar a vida, que se transforma num parque de diversões sem brinquedos mas ainda mais divertido.
a tristeza é que somente nos últimos momentos de vida que o cara percebe que de nada adianta ver o que ele viu e saber o que ele sabe sem poder dividir. porque no momento que ele se fortificou internamente e decidiu voltar aos queridos e compartilhar já era impossível pra ele. ele morreu sem saber que a história dele é exemplo pra muitas pessoas. morreu jovem e sábio. 24 anos. poderia estar aí hoje com seus 41 aninhos fazendo sabe se lá o que.
hoje vou pensar no hoje. hoje vou fingir que também posso não precisar de nada, que possso "jamais ter de voltar a ser envenenado pela civilização", que posso caminhar sozinho pela terra e me perder na floresta, buscando apenas a verdade, simples e pura verdade.
3.4.09
flowers in my hair
30.3.09
dual core, please
vacas
nesse falshback eu não assistia a vaca e sim a mim mesmo fazendo aquele movimento estranho e ouvindo os estalos dos meus ossos enquanto eu ruminava a sobremesa. pensar em mim-vaca me levou a outra noção de realidade, me levou a uma cena num sopping center, na praça de alimentação e eu vi todas as pessoas ruminando seus fast-foods. as vacas pareceram por um momento tão felizes, porque as pessoas ruminando me fizeram ver que somos tão animais quanto a vaca (coisa que me esqueço com muita frequência), mas que ao contrário delas temos zilhões de coisas passando na cabeça, tantas sensações e sentimentos. pereceram todos estúpidos por pensarem tanto em tudo. porque não podemos ser simplesmente vacas ruminando nossa comida? porque temos que comer e pensar? porque temos que pensar até em parar de pensar e simplesmente ruminar. me senti uma vaca, uma vaca com crise existêncial.
22.3.09
velho mundo, mundo novo
voar sobre meu porto alegre foi fantástico como nunca antes, ver aquela paisagem, os prédios, ruas, o trânsito, as pessoas, os lugarzinhos, me trazem cada minuto mais de volta ao meu mundo. mas o eu que pisa hoje nesse chão onde cresci e aprendi quase tudo que sei é muito diferente do eu que partiu a tão pouco e tanto tempo atrás!
viajar é um spray de pimenta nos olhos, cutucar a consciência com um alfinete, assistir a um filme sem sentido no volume máximo dentro de um quarto coberto de telas e interagir com os personagens, dormir em uma cama de pregos que não segue a distância mínima de separação pra garatir que eles não te furem, comer espetinho de grilos mal passados.
quando se sai desse turbilhão e volta-se ao seu, ao "seguro", tudo parece calmo e previsível demais e isso é bom e isso é ruim. a clareza com que é possível ver agora impressiona e facilita a movimentação. é como se eu estivesse em meio a um labirinto e por alguns minutos eu pudesse enxergar o caminho pra saída e pudesse escolher durante este trajeto os obstáculos que eu quero enfrentar e as armadilhas que eu devo evitar.
hoje a sala não é mais a mesma, apesar dos objetos estarem ainda nas mesmas posições existem detalhes que eu não via antes. esses detalhes acabam alterando o ambiente e eu consigo agora sentir melhor o que as cores querem me dizer, entendo o porque da posição do sofá e mesmo que a tevê não tenha o tamanho e nem a imagem ideal, a mensagem que ela me transmite é o mais importante. e poder entender a linguagem da sala me faz ver o que eu não via e sentir o que eu não sentia.
viajar é um intensivão de vida, onde se aprende a viver, a ver a vida que se tem e a escolher a vida que se quer.
14.3.09
voando
não sei o que esperar, só chegando lá pra saber qual a sensação que essa volta pode produzir, porque agora, quando tudo ainda é futuro, me sinto bem em alguns momentos, me sinto triste de deixar tudo aqui em outros. viajar é sempre maravilhoso. pra quem tem espírito aventureiro e sede de novidades como eu é foda saber que vai levar um tempo pra que eu volte a seguir pra outro país e pra que eu bata de frente com outra cultura.
já sinto um vazio no peito, uma sensação de perda e ao mesmo tempo de vitória, conquista! sinto os últimos meses como se fossem anos, me sinto diferente sem nem saber em que sentido. olho no espelho e minha imagem me diz que a diferença é muito mais interna do que externa, mas vejo mais profundidade no olhar e a certeza da amplitude dessa mudança só vou saber quando pisar de novo na minha terrinha e ver as coisas com meus novos olhos.
que ansiedade de saber como meu corpo vai reagir. agora é pegar o avião e abrir a mente, sentir essa que deve ser uma das sensações mais inusitadas que se pode sentir. quero ver, ouvir, tocar tudo lá. me ver, me ouvir e me sentir lá! brasil, me aguarde! até breve!
12.3.09
preparar, apontar, fogo!
o que acontece quando se vai pra outro lugar é que se tem muitas sensações e visões do simples e do complexo. a percepção aguçada pela estranhesa das coisas desperta um senso de realidade difícil de se descrever, principalmente quando a música que eu gostava acabou. mas o sentimento maior que toma conta do meu peito agora é a confiança de que amadureci e aprendi muito. vai ser estranho voltar a ter dinheiro colorido e não ter pennys que só os americanos, com suas taxas que transformam os produtos em valores quebrados inacreditáveis, ainda acham necessário. acho que se juntar todas essas moedas de um cent posso comprar mais uma passagem pra wonderland!
eu não lembro mais como é o trânsito do brasil, estava pensando nas sinaleiras sem o sinal especial pra virar à esquerda e acabei chegando a conclusão de que o nosso trânsito é mais fácil, tudo bem que é sempre bom pegar a freeway pra chegar mais rápido no centro, mas e aí não se vê a cidade de perto, não se vê as pessoas. prefiro as sinaleiras e as pessoas. e as ruas?! aqui sempre tão retas e previsíveis, onde foram todas as curvas, será que quem planejou as cidades não pensou que às vezes uma curva faz bem, dá uma acordada e faz prestar mais atenção no que se está fazendo.
não sinto mais a comida apimentada, não sinto mais frio, não acho estranho falar inglês, não penso que o drive thru do banco é inútil, enfim, me acostumei com muitas coisas e sei que vou sentir falta de muito que eu vi e vivi aqui. outras referências e um contexto de vida mega diferente do brasileiro. mas a readaptação sem dúvida será muito fácil. minha terra, minha culltura, minha língua. pensar em pisar no brasil aquece e seduz. devo a essa experiência a minha nova noção de nacionalismo e minha certeza de que tenho muito orgulho de quem somos e de ter nascido brasileiro. sendo exposto a muitas situações que podem soar absurdas pra um americano, mas que formam pessoas extraordinárias, inteligentes e preparadas pra enfrentar a realidade.
é chegado o início de um novo tempo e nova era. o brasil nunca mais será o mesmo depois do que vivi, mas sem dúvida será sempre minha terrinha querida e por mais que existam lugares que me fizeram muito bem, sei mais do que nunca o valor de se estar em casa e perto de quem se ama. ok, i'm going to start packing!
5.3.09
beija eu
ai meu amor, o tempo não passa, falta fôlego pra correr mais rápido que o relógio. ontem eu tentei, mas me cansei e meu nariz sangrou. preferi optar pela rotina quebrada, mas planejada. tinha esquecido como é importante planejar, enfim, retomei. reformei o quarto, a sala e a lavanderia. sem falar do banheiro que já não se reconhece.
tic tac...
amanhã acordo cedo e preciso dormir antes que nem valha mais a pena deitar na cama. mudam os dias e mudam os cenários, mas cada vez menos tenho vontade de ir dormir, e quando durmo é cada vez mais difícil levantar. sou preguiço, confesso. mas não posso lutar contra minha natureza noturna que insiste em me deixar ligado na madrugada e quanto mais o relógio corre mais tesão e menos vontade de deitar, deitar até vai, mas não pra dormir. não agora.
o tempo vai e volta, quando eu acho que são quatro da manhã é apenas meia noite, ainda é tempo de dormir, mas o que eu quero mesmo é que o tempo passe pra que eu fique ainda mais próximo do fim e do reinício. início?
3.3.09
simpatia
quando se está em um lugar estranho, seja outro país ou outra casa é normal existir um tempo para se adaptar e começar a se sentir parte do lugar, integrado de alguma forma ao cenário que está em volta. mas não aqui.
são francisco soa bem aos meus ouvidos faz muito tempo, mas mesmo com a quantidade de referências que se pode buscar na internet, livros, revistas eu não poderia imaginar que eu me sentiria tão em casa e tão bem acolhido por esse lugar. como é bom passear pela rua e ver alguém sorrindo sozinho, simplesmente por estar ali caminhano pela cidade que tanto ama e que exala bem estar e alegria.
sensações são únicas e cada um tem as suas obviamente, mas eu tenho a nítida impressão de que este lugar de alguma forma produz essa mesma sensação em um determinado tipo de pessoas. são francisco como disse um amigo parece acolher pessoas que não se encaixam em nenhum outro lugar, por diferentes motivos, e talvez seja essa mistura de pessoas, histórias e vidas que deixe a cidade ainda mais interessante. é um adicional a todas as belezas naturais e contruídas que existem aqui.
imprevisível são francisco, com todas as subidas e decidas não se pode saber muito bem quais surpresas vai se encontrar no caminho, mas a cada ladeira surgem novos detalhes, sensações e sempre uma paisagem fenomenal. cada cantinho parece ter uma história e cada lugar que se passa parece produzido pra encantar. triste é partir de um lugar onde se teve tantas experiências boas em tão pouco tempo. ficam pra trás vários momentos memoráveis e a sensação de que a missão aqui é muito maior e que ainda virão mais dias pra se viver frenética e calmamente na cidade mais interessante que eu já conheci (so far).
deixando san francisco
manhã 27 de fevereiro
so sad!
breathe
é impressionante a calma e a alegria que eu sinto só de estar aqui, sentir o sol quente no rosto, ver o mar de plano de fundo para a cabana do salva vidas, aquela mesma cabana que eu via nos filmes e na minha série favorita dos tempos de adolescência. os coqueiros, a arquitetura, as aves, conchinhas, tranquilidade e serenidade.
o tempo se torna quase irrelevante neste momento. não fosse a lembrança da data de volta e da passagem já comprada, eu poderia ficar aqui pra sempre, ou pelo menos por mais uma semana. mas eu sou maestro de mim e quem controla meu tempo sou eu. posso viver aqui um ano em apenas sete dias.
manhattan beach
23 de fevereiro 12:27
primeiras impressões californianas
20.2.09
dimensão x
às vezes me sinto vivendo muitas realidades complicadas de se conciliar, sobrepostas em alguns momentos maravilhosamente bem, transformando a realidade numa dimensão inusitada, brilhosa e carismática, convidativa e interessante de se estar. mas tem outros momentos que simplesmente nada se encaixa e fica praticamente impossível de entender o significado da formatação das idéias e de tentar ouvir algum barulho e ver uma imagem focada.
viver num mundo que não é o seu insere uma série de barulhos ao seu dia que você definitivamente não consegue enxergar, imagens estranhas que soam inaudíveis, o tempo corre numa velocidade diferente, ainda mais quando se está alguns pés a mais de altitude. não dá pra saber muito bem se o seu cabelo está bagunçado corretamente ou se a camiseta combina com a meia!
pobre cérebro humano, apesar da capacidade de adaptar-se rapidamente as situações mais diversas, acaba se confundindo e misturando as coisas, trocando as línguas, os dias, pensando descordenadamente, acaba sentindo calor quando tem frio e achando que o dia está escuro demais para se dormir.
volto ao sentimento e compreendo que não devo pensar muito em pensar nem sentir muito o que estou sentindo agora, whatever, deixa que a ficha caia. é só dar tempo pros neurônios funcionarem e relaxar. se não for pra sentir nada também que seja um nada cheio de camadas confusas e palavras que não fazem sentido, porque aí pelo menos quando a ficha cair e não houver sentimento algum, gasta-se o tempo procurando um sentido pra essa confusão temporal e corporal.
17.2.09
holiday
na calçada havia aguá da neve derretida, entre a calçada e a rua: grama ou pedra. árvores secas de frio enfeitam a paisagem ao seu jeito. não se importam em não terem folhas coloridas ou flores e frutos, se bastam pelos seus galhos e conversam entre si pelas batidas deles.
a rua estava quase deserta em certos momentos, feriado também para os carros, e claro para os ônibus, ou melhor, para os motoristas. hoje é dia de caminhar, caminhar até enjoar, observar o que não pode ser observado pela janela do carro (ônibus).
hoje eu caminhei e não reclamei, caminhei e apreciei. olhei para a terra úmida e para a calçada rachada, vi o interior de muitas casas e as pessoas vivendo, vi aos outros e vi a mim mesmo. ouvi mesmo achando que não deveria ouvir e agradeci mesmo não tendo necessidade de agradecer. mas eu sou grato, por estar caminhando, observando, ouvindo e falando. então agradeci, e cantei e dancei.
14.2.09
entre agulhas e penas
a fernanda está depressiva hoje, versando sobre morte e seu cabelo com cortes ridículos, eu estou compreensivo e pensativo. pensando no que significa essa prostituição sanguínea na minha vida, pensando em como vou lembrar disso daqui a um tempo e dar risada. observo as pessoas passando na rua, nem parecem perceber o que acontece aqui dentro, o sinal fecha e os carros param e vão. o tempo corre mais rápido quando se lê poesia.
na cadeira do meu lado está uma senhora piadista, que parece não estar em momento algum sendo sugada pela máquina, pelo contrário, parece se alimentar da eletricidade e ficar cada vez mais agitada até que a língua não para e a cadeira já não parece ter mais posição nenhuma que seja confortável o suficiente pra ela, quando sai dali, sai apressada e contente. realmente ela deve se abastecer de alguma forma da energia da máquina. do meu outro lado o homem sentado parece sofrer do exato oposto da senhora elétrica, ele fala de tempos em tempos no telefone, mas fala tão baixo que é praticamente impossível de ouvir uma palavra que lhe sai da boca, leitura labial, impossível, ele também não mexe muito a boca pra falar. acho que a senhorinha pode ter sugado a energia do pobre coitado.
sinto a boia inflar e pressionar meu braço, hora de bombar a mão. a fernanda está no prédio mais alto de são paulo observando o suicídio de um pobre pássaro branco, que encharca suas penas brancas de sangue no asfalto. eu viajo pela rua, vejo a barraca de tacos onde os mexicanos conversam animados e a banca de revistas com cigarros e pornôs em promoção. vejo um carinha no telefone dando risada e meu sangue na mangueira, que cenas. penso na risada da enfermeira e na cantada que o colega de trabalho deu nela na frente dos pacientes. eles trabalham como se estivessem num escritório e nós fossemos os computadores, não ligam pra o que ouvimos ou deixamos de ouvir, a senhora elétrica parece conhecê-los bem e já conversa informalmente com eles, como vizinhos de muitos anos.
eu deixo eles de lado e vejo a fernanda retocando o batom e tendo uma noite de prazer com um ex-amor, depois do sexo acorda em meio aos cupins sem asas, que procurando alimento na casa antiga de madeira. eu procuro ver quanto tempo falta pra que minha sessão acabe e a máquina prontamente me avisa que eu estou pronto pra ir.
depois do processo final eu me levanto, coloco meu casaco, pego meu dinheiro e saio. o ar frio da rua me envolve o corpo e me sinto bem, dou uma risada da situação, pego o carro e sigo. ah vida.
9.2.09
o caminho
pra onde o caminho leva? são tantos os caminhos que perder o foco é comum, mais do que comum, difícil é ter foco e achar o caminho.
caminho certo? olha, deve existir.
deixar migalhas? dizem que o bom é sempre buscar caminhos novos e seguir em frente, e mesmo que se volte, provavelmente o caminho não será mais o mesmo, a chuva insiste em levar as migalhas, é provável que a chuva acredite na história de se buscar sempre o novo.
voltando ou seguindo em frente, mais importante que se saber o caminho por onde anda é saber o que se quer encontrar no caminho, e saber aproveitar as surpresas que sempre surgem, é nas surpresas que se pode aprender a dar valor ao que é realmente importante na vida.
o que é importante na vida? ...
sucessão do tempo
o tempo demora quando se espera
o tempo é relativo
quanto tempo hoje teve?
7 minutos?
7 horas?
7 dias?
depende...
depende.
6.2.09
ônibus torrada
sim, eu poderia ser o pão que não ficou o tempo necessário na torradeira e teve que mesmo assim ser bom e matar a minha fome, ou então meu cabelo que tentava ser algo que não era e decidiu ser ele mesmo, não ligando mais para os outros cabelos, ou o que esses pensaríam dele. eu poderia ser meus dentes, que nem sempre recebem o cuidado que merecem, mas são constantemente cobrados e exigidos pela brancura do comercial de pasta de dente e se frustram pois ainda precisam de muitas horas de colgate total 12 pra atingirem o primeiro quadrado de brancura da embalagem.
eu podia ser eu mesmo, nessa manhã gelada, da gelada salt lake city. desajeitado e cambaleando pra sair da cama. com cara de sono e boca cheia entrando no ônibus, comprimentando o cobrador mau humorado do primeiro horário. eu, eu mesmo, indo pro trabalho e vendo as pessoas a minha volta e tentando me imaginar no meio delas. a cena projetada na minha mente se parecia bastante com o filme da semana passada, ou de um ano atrás. aquele filme, o qual venho escrevendo o roteiro fazem mais de duas décadas e que ultimamente vem ganhando umas locações incríveis.
pode ser que essa cena atordoada e desfocada da manhã gelada, da torrada e do ônibus nem entre na edição final, mas essa imagem sendo registrada, esse flash contorcido faz sim parte do enredo e a figura do jovem e sua torrada, tentando atrapalhadamente colocar os fones de ouvido enquato come, pega a carteira e para o ônibus na parada branca de neve fará diferença no desenrolar da história, e cada passo dado, cada nova cena gravada, seja ela relevante ou não pra história final, faz mais sentido agora do que fez a dois meses atrás.
1.2.09
lição do dia
tá bom pra mim, sabe?! sim, meu sonho, um deles, mas também, não é tudo isso não. não epera muita coisa porque não é. eu acho que se tivesse vindo pra cá a algum tempo atrás, antes de conhcer quem eu conheço, antes de saber o que eu sei, fosse me encantar mais e querer ficar aqui como todos me diziam que eu me sentiria, pois é, eu mesmo cheguei a pensar nisso, mas estando aqui eu vejo onde estive e me sinto abençoado por ter meus amigos e minha família e valorizo cada vez mais tudo isso. um dos grandes motivos de ir se viajar é se dar conta disso mesmo, do que se tem ou do que não se tem na sua origem.
muitas das pessoas que viajam e não voltam são pessoas sem estrutura nenhuma, em todos os sentidos, e acabam por motivos diferentes percebendo que o melhor que tem a fazer é ficar se manter afastados de tudo aquilo que não tinham ou que não lhes fazia sentido. ir para um país de primeiro mundo pode encantar sim, pode fazer sentir bem, e faz, sem dúvida, quando se tem um emprego e uma vida nestes lugares pode se ter coisas que não são tão facilmente possíveis nos lugares de onde se veio. fugitivos de países em guerra, fugitivos de qualquer ambiente insalubre se facinam, mas esse não é o meu caso.
num primeiro momento é tudo ótimo, lindo e maravilhoso, num segundo as diferenças se ampliam e o corpo e a mente começam a se debater, como um peixe fora da água, falta ar. depois vem a hora de se dar conta de muitas coisas, se dar conta de que para ser um cidadão do mundo basta estar no mundo, em qualquer lugar dele. de se dar conta do que se tem, de aprender a dar valor, ainda mais, as pessoas e ao não material, minha viagem vem me ampliando a visão do que eu considero importante, seja certo ou erado e quanto mais eu vejo menos eu quero ver.
o preço a se pagar nem sempre vale o retorno, o material traz satisfação instantânea, o sentimental fica, mas que sentimento fica do material? nenhum. aprender e sentir é mais importante do que qualquer outra coisa, e é gratuito, pena que o que é de graça não atrai a todos, muitos preferem pagar pelo instantâneo e nem percebem o que perderam. paciência, cada um leva na vida a bagagem que lhe faz mais sentido, uns pagam excesso de bagagem, outros esquecem a mala e carregam mais bagagem do que se possa imaginar.
23.1.09
considerações
nem sempre o mundo gira no ritmo que precisamos que ele gire, a natureza tem seu tempo e os acontecimentos cotidianos acompanham esse tempo, naturalmente. almejar alguma coisa, algum acontecimento, qualquer que seja o desejo, acaba criando expectativa. ando pensando muito em que tipo de reação uma expectativa não alcançada pode produzir nas pessoas. definitivamente a reação é mais forte a medida que a expectativa foi alimentada. algo que mal se pode pensar em ter não poderá produzir grandes efeitos caso não seja alcançado, agora, grandes planejamentos que acabam saindo como um tiro pela culatra pode prouzir uma reação desmedida e desnecessária.
quando algo planejado por muito tempo caminha por um trajeto diferente do esperado nem sempre significa algo ruim. entre uma página e outra da internet acabei me deparando com uma comunidade no orkut onde as pessoas discutiam frases irritantes e alguém citou “as coisas acontecem como devem acontecer” e outra disse que ficava irritadíssima quando alguém lhe dizia “o que tiver que ser será, o que é teu está guardado”. ok pode ser irritante sim, em determinada situação ouvir uma frase destas, mas de qualquer forma, assim como qualquer frase que vem sendo repetida por gerações, elas fazem sentido. num momento em que o planejamento de uma noite, viagem, férias, relacionamento não funcionar, não foi necessáriamente por algum descuido pessoal. existem sempre situações adversas que fogem do controle e que podem encaminhar as coisas pra uma direção inesperada, e das surpresas aprende-se e vive-se sempre algo memorável. basta permitir que isso aconteça.
11.1.09
momentos, lembranças
as recordações podem nos ensinar, refletem no presente de tal forma que chegam a incomodar. a verdade se torna mais pura e fácil de entender quando é recordada. o presente na mairia das vezes trás muitas informações e assimilar elas é praticamente impossível de cara, sem pedir um tempo pro tempo e parar pra colocar as idéias no lugar. mas quando falamos de ontem, de recordações se torna mais fácil. assistir um filme pela segunda vez trás outra visão dos acontecimentos. isso acontece com a vida. por isso que as situações repetitivas se tornam fáceis de lidar, mas o novo num primeiro momento sempre trás insegurança e fragilidade. nos faz tomar decições precipitadas e nem sempre as mais corretas, mas como a vida não é um filme e não é possivel voltar e reassistir para que algumas atitudes sejam mudadas ou para que se possa prestar mais aternção a certos detalhes que quando se teve a oportunidade não se prestou, o melhor a se fazer é aprender a viver com os detalhes e prestando atenção nos momentos, momentos que podem não chamar atenção num primeiro momento, mas que farão a diferença no conjunto da ópera. são os detalhes que deixam o movinto preciso que definem a qualidade do trabalho, da vida. prestar atenção aos detalhes faz toda a diferença.
nesse momento de novidades diárias eu sinto que devo viver devagar, brecar o tempo o máximo que eu puder, sei que quando pensar neste momento e quando ele se tornar uma recordação de viagem, vou ver coisas que não vi agora e isso produzirá sensações diferentes das que senti agora. a minha tentativa humana e frágil com as novidades é tentar ser o mais forte e gigante que puder, e através disso sentir e ver tudo que cada novo lugar, cheiro, imagem, me produzir! não é nada fácil e às vezes o resultado deste trabalho é de forte carga emocional.
cresço a cada passo aqui. cresço e vejo cada vez mais, amplio o horizonte e o mundo parece fazer um pouco mais de sentido a cada amanhcer. mesmo que a neve me impeça de viver como eu gostaria em alguns dias, até mesmo essa impossibilidade é engrandecedora. poder viver isso é mágico. agora me fogem as palavras, mas cresce o material para os próximos textos, a cada segundo.