14.10.09

superman

onde está escrito que precisa ter super poderes para ser super herói eu não sei, mas que para ser um super homem basta ter coragem e acreditar em algo é fato!

que um dia eu possa acreditar tanto em algo que me faça fugir da realidade para viver em um mundo só meu. que me traga alegrias e realizações simplesmente por estar vivendo a plenitude da minha crença. sem que eu pense em mais nada que me faça negar aquilo que eu acredito e que me convence de que existe um sentindo para toda essa imensa chuva de vida diária.

fazer o simples e sorrir, ver a sinceridade no meu ato e na tua resposta e alimentar-me. quero te fazer sorrir simplesmente porque sim, não precisar de grandes argumentos ou de texto bonito e pensante. não pensar é mais fácil, é instintivo!

quando se vive de instintos num mundo com tantas leis e regras que nos são impostas e que tentam nos afastar do que sentimos de verdade normalmente se é taxado de louco, autista, hipócrita, mas não é nada disso. quem disse que não se pode mais ser animal e simplesmente tentar viver em harmonia, protegendo a espécie e fazendo o bem, pra si e para os outros?

sejamos mais super homens, sejamos mais simplórios e sejamos mais felizes

*após assistir "o homem que era o super homem (a man who was superman)"

6.8.09

vírgulas

estou pensando tanto em minúcias nos últimos tempos. me sinto tão focado em alguma coisas, mas ao mesmo tempo tão desleixado e perdendo tantas outras. hoje fui a um lugar que havia um tempo não ia, uma galeria onde sacava dinheiro no tempo do meu antigo trabalho. quando entrei eis que surge um imprevisto, não existia mais o lugar! uma loja de cadeiras apareceu no lugar. fiquei chocado. parei. pensei e achei que tivesse errado o lugar. perguntei ao segurança e ele me disse que realmente haviam sim fechado a lotérica. triste.

quando voltava pra casa, vi mais três ou quatro lugares que estavam completamente diferentes do que eu lembrava. adoro mudanças e acho saudável, mas vi tanta esquisitice ultimamente que ando querendo que as coisas parem um pouco de mudar. as coisas mudam e as pessoas mudam com tanta frequência que não são mais consistentes, o que hoje funciona amanhã não dá mais. o sucesso de hoje é lixo amanhã. é tudo tão momentâneo que dá vertigem e enjoo. dinâmico e rápido tem limite. e o tempo pra assimilar? será que ninguém mais precisa assimilar nada? basta abrir o pacotinho, mascar e cuspir fora? ninguém mais para pra ler o conteúdo da embalagem?

cansei de velocidade, por isso me atenho aos detalhes. chega de repetir o mesmo sorriso e exercitar os mesmos músculos, não preciso.

3.7.09

distrações

ele abriu o navegador e rumou direto para o perfil no orkut que mais lhe afetava, leio rapidamente os recados e assistiu o vídeo recém adicionado, sentiu. ver as imagens tão belas daquele que sabia interpretar tão bem o personagem que ele sonhava fazia uma sensação estranha surgir no peito. uma mistura incompreensível de desejo e repugnância. por quê? por que ainda perdia tempo com aquilo? não, mas não era a sensação de perda de tempo que lhe incomodava, ela nem sequer existia, era inventada para disfarçar, pois o abalo que as imagens produziam com a sua aparente tranquilidade interior era o causador do incômodo.

o mais estranho era pensar nas situações e trabalhar com elas dentro da sua realidade, uma realidade completamente diferente de tudo o que via ali. era como um filme onde não se conhecia a língua, onde as imagens davam um recado que não podia ser completamente entendido pela falta da complementação da língua. e porque essas imagens não eram capazes de se fazerem entender por si só, isso que o incomodava.

queria saber mais sobre aquele indivíduo e entender o porque do que via, mas cada vez mais isso parecia se tornar inalcançável, alguns detalhes deixavam claro que uma distância se formava, maior que o mundo virtual poderia mensurar, maior do que o mundo real pudesse entender. estava definitivamente longe, muito longe da aproximação. se sentiu enjoado e triste. abriu de novo os vídeos e ali encontrou o novo vídeo da banda que amava e ouvia muito nos últimos dias,voltou a sorrir e esqueceu de tudo por mais um tempo.

17.6.09

algo esta cambiando

respiro e sinto o ar diferente, o vento me toca a face como se fosse pluma à caminho do infinito. como posso me sentir mais livre se até ontem eu tomava as atitudes mais desprendidas que se pode ter? como posso agora virar e me ver tão preso em uma realidade que parecia ser a mais livre? que chaves invisíveis são essas que me libertam de amarras que nem mesmo eu sabia que existiam?

não sei explicar exatamente o que acontece, não sei e nem devo saber. é recente e leve esse sentimento que surge, liberdade incondicional, sem comparações e nem exemplos a se seguir. posso ser o que eu quiser, mas dessa vez pareço estar mais seguro. existem valores e medidas que geram "quase-regras" e leis de comportamento que se aplicam e são costuradas sob medida para mim.

se o ar tem outro cheiro e a comida outro sabor é conquista minha ter aprendido a identificar essas novidades e apreciá-las com a maior calma é o mínimo que posso fazer para não perder novamente essa oportunidade que dificilmente se repete. agora a ampliação de sentidos é o objetivo, que seja interna e externa, que traga mais e mais alegria e luz, que ilumine a verdadeira felicidade e alegre também as flores e as cores que surgirem no caminho. um novo tempo chega e vem para fazer os dias mais belos e os momentos ainda mais engrandecedores.

8.6.09

not now

sigo as placas
do plano
buscando chegar
ao topo
e o tempo
foge
como bixo-caça

perdi meu ponto!
onde?
desço?
agora?

volta e finge
treme e teme
cair
levanta
apaixona e segue

teu rumo
rumo
ainda não sei
mas eu chego
chegarei!

o jogo

chegam tempos em que o que passa diante dos olhos parece fazer um sentido desconexo e irracional. me vejo no topo dum vilarejo de onde posso observar o comportamento dos habitantes e além disso posso prever também seus movimentos e pensamentos. é como um jogo onde os objetivos e atalhos já me são conhecidos e brincar não é mais divertido como era antes, agora sobra tempo de ver detalhes inacabados e as falhas por toda parte gritam para chamar minha atenção.

queria poder apresentar àquelas pessoas o que eu tinha visto nos outros lugares e fazer com que vissem o que eu via e sentissem pelo menos um pouco do que eu sentia. como podiam eles continuar com o mesmo comportamento de décadas atrás e nem se darem conta. será que não percebem como esses atos ou a falta deles está afetando o desenvolver da história de suas vidas? e se não buscarem uma ampliação de pensamento, uma saída daquele labirinto, irão continuar ali, mesmo com todas as oportunidades que lhes eram dadas, no mesmo lugar e agindo sempre da mesma maneira, falando nas mesmas coisas! vivendo as mesmas cenas!

resolvi me aproximar e novamente assumir minha postura inicial, me mantendo ao seu nível para que pudesse compartilhar o que tanto me intrigava e discutir sobre assuntos que lhes mudasse o foco ou alimentasse o desejo pelo desconhecido. mas o que percebi era uma barreira que não permitia o acesso ao modo como eles pensavam. quanto mais eu conversava e tentava aprender algumas das formas mais simples de encarar assuntos cotidianos, mais percebia que não havia fundamentação ou uma crença com base de argumentação. as explicações eram ridiculamente simples e impensadas, faltavam palavras para suas justificativas e poucos realmente sabiam porque pensavam daquela forma. muito do que sentiam, sentiam em massa e a maneira de encarar a realidade fora "ensinada" pela mídia, pelo meio de convivência e alguns "herdaram" suas opiniões da família ou da religião.

quando questionadas sobre determinados assuntos que tinham como verdades absolutas de sua existência ou comportamentos padrões que, na verdade, não passavam de uma forma social engessada a maioria das pessoas perdia a fala e portava-se de maneira desconfiada e rígida, sem parecerem minimamente interessadas em ouvir um novo ponto de vista. e mesmo os que discutiam e argumentavam, depois de muito tempo nada mudava na forma de encarar o que lhes cercava e pareciam gostar da forma como dominavam seu pequeno jogo no nível iniciante e não era preciso grandes obstáculos pra vida continuar se movendo.

quando se vive e algumas etapas do jogo são vencidas, os níveis já não tem saídas de emergência e não se pode pedir ajuda, ou voltar para o início e repetir determinada ação até que se ultrapasse aquela barreira. acabamos valorizando cada vez mais as pequenas conquistas. os níveis desse jogo tem dificuldades diferentes para cada jogador e quando se encontra numa fase avançada, olhar para trás e ver os outros jogadores em momentos já ultrapassados faz com que eles pareçam também capazes de chegar ao seu ponto, o caminho te perecerá obvio e fácil, mas nem sempre essa é uma verdade. existem aqueles que ficarão em pontos inferiores do tabuleiro e outros que estarão acima e também para eles seremos apenas jogadores atrasados. o importante é saber que nem todos que começaram a partida no seu time se manterão no mesmo nível que o seu, muitos nunca o alcançarão. saber dessa diferença de posicionamento é também o início para entender que a vida levará cada um para um caminho, às vezes muito distante do seu. e principalmente, mesmo que não pareça, esse é um jogo se joga sozinho nos seus momentos mais decisivos.

5.6.09

voando

passei a noite inteira voando, foi incrível e eu sinto como se estivesse aprimorando a técnica. a cada possibilidade que tenho de voar pareço estar mais seguro e habilidoso e já não me preocupo em o fazer a noite ou enquanto chove.

hoje voar foi fácil e nem precisei me cansar muito. já não seintia toda aquela força da gravidade tentando me impedir de realizar tamanha tarefa que era me manter longe do chão e fazer o que poucos podem e sabem fazer. nem precisei de grande impulso ou mesmo subir a alguma distância do solo, bastava um empurrão como se saltasse no ar, mentalizar a ascensão e subir no ar, como um super herói. as manobras e descida nunca foram tão fáceis de controlar e pude aproveitar ainda mais do que nas útimas vezes, sem medo de cair a qualquer momento ou bater em alta velocidade em algum prédio devido a falta de controle.

pude voar alto e longe, rápido e eficiente. fugi ao movimento do sol e venci algumas horas nos fusos, pude viajar e ver a noite nova iorquina iluminada pensei em ir à europa, mas desisti quando lembrei que se eu caísse no meio do oceano ninguém nunca pensaria em me pocurar por lá. me diverti e senti de novo como é bom aproveitar dessa liberdade que poucos possuem.

voar é tão bom que mesmo a palavra já nao remete apenas a ação de flutuar no ar, mas se alguém disser que esteve voando o dia inteiro prontamente já se pode dizer que a pessoa deve estar muito feliz e provavelmente ficou o tempo todo numa outra dimensão pensando em todas as maravilhas que a cercavam e tudo mais.

eu que voei literalmente acordei querendo mais e mais sonhos como aquele, há muito desisti de entender essa loucura que os sonhos produzem e da realidade com que um sonho pode se formar e formar também a realidade em que vivemos e como as coisas são naquele determinado momento as mais corretas , fazendo todo sentido , mesmo que não condizam com o que temos por certeza enquanto estamos acordados. voar é meu esporte favorito, pena só poder exercitar quando e por quanto tempo meu cérebro decide.

27.5.09

combustível

mesmo que eu não saiba correr tão rápido quanto o tempo eu ainda tento seguir meus velhos passos e alcançar a liberdade de ser incomum, de pensar no impensado, achando graça de mim mesmo quando me vejo refletido no espelho quase sem iluminação do banheiro

o isqueiro acabou e eu decidi correr para não perder o fogo e deixar a chama que ainda restava em mim sumir definitivamente, depois disso não teria forças nem mesmo para comprar outro isqueiro e não teria mais de onde tirar fogo para acender as caldeiras. seria definitivamente mais fácil ser movido a algo que não desse tanto trabalho pra manter funcionando, qualquer coisa que durasse mais tempo e que recarregasse com elementos ordinários. mas não, meu combustível é raro e inacessível do lugar onde me encontro, além das armadilhas que muitas vezes fazem acreditar que certos elementos farão bem e acabam diminuindo ainda mais as energias.

meu combustível é sensível e temperamental, não posso comprar no mercado ou na loja de produtos importados, não é comprável nem achável! quando menos espero tem uma injeção de combustível me esperando em algum lugar ou encontro pelos caminhos e atalhos dos percursos.

não sei se é a crise ou a baixa temporada, mas faz algum tempo que não vejo nem um sinal de combustível em lugar algum. estou juntando forças para respirar e me manter vivo em busca de um pouco de gás e energia, meu corpo encontra outras saídas mas são fracas e em pequena quantidade. estou precisando de uma novidade que me faça rir e chorar, de uma verdade para acreditar, de uma praia abandonada com alguém especial. preciso de combustível e ninguém parece notar, nem eu nem ninguém está sendo eficiente em tornar real essa vontade louca de viver a todo vapor. falta qualquer coisa que ainda não sei o que é, mas espero descobrir rápido porque o calor parece estar indo embora!

24.5.09

novo de novo

precisamos estar sempre em movimento de ascenção e aprendizado na vida, vivendo novidades e conhecendo novas possibilidades e alternativas para o que não nos completa ou satisfaz no presente. voltar a focar a energia nesses assuntos me fará bem e sinto que é a tarefa mais importante que eu devo assumir hoje. chega de pensar e tentar viver o que já foi vivido e aprendido. quero o novo e o belo, quero o que eu não conheço! energias novas para inovar e me renovar.

repetições são produtivas em alguns casos, ver um filme duas ou três vezes pode te fazer ver detalhes que não foram observados na primeira vez e o mesmo se aplica a vida, agora, quem consegue ver o mesmo filme todo dia, repetidas vezes no mesmo dia!? quem consegue viver repetindo as mesmas ações todos os dias durante toda vida!? eu não! 

quero o novo e o belo! e alguém pra descobrir tudo isso comigo!

15.4.09

into the wild

acabei de assistir um filme que, sem sombra de dúvidas, acrescentou uma energia incrível na minha sede de viver! não importa em que mundo se viva desde que se viva! assisti "into the wild" filme com direção do maravilhoso sean penn e baseado na vida de um homen incrível! um ser que simplesmente se desligou de todas essas padronizações de comportamentos sociais e buscou a sua própria realização, indo pro meio do nada, e no caminho encontrando pessoas fantásticas, com histórias cheias de sentidos e interpretações.

esse é um daqueles filmes que podem te fazer ter vontade de transformar a realidade e te faz perceber que não existem fórmulas na vida. que qualquer padrão a ser seguido é inútil porque o personagem da história não é o mesmo e por conseguinte os fatores cincundantes também mudam e alteram a essência da mistura. sendo assim modificam seu conteúdo e sua trajetória. o que eu quero dizer é que independente de tudo que se possa almejar e que caminho se busque na vida o importante não será o destino final, mas sim o que nos deparamos no caminho, a imensidão de acontecimentos que nos cercam a cada milésimo de segundo de passamos vivos. viver é sempre uma surpresa e escolher caminhos menos óbvios pode trazer ainda mais conhecimento e ampliar a vida, que se transforma num parque de diversões sem brinquedos mas ainda mais divertido.

a tristeza é que somente nos últimos momentos de vida que o cara percebe que de nada adianta ver o que ele viu e saber o que ele sabe sem poder dividir. porque no momento que ele se fortificou internamente e decidiu voltar aos queridos e compartilhar já era impossível pra ele. ele morreu sem saber que a história dele é exemplo pra muitas pessoas. morreu jovem e sábio. 24 anos. poderia estar aí hoje com seus 41 aninhos fazendo sabe se lá o que.

hoje vou pensar no hoje. hoje vou fingir que também posso não precisar de nada, que possso "jamais ter de voltar a ser envenenado pela civilização", que posso caminhar sozinho pela terra e me perder na floresta, buscando apenas a verdade, simples e pura verdade.

3.4.09

flowers in my hair


quando estive lá eu já sabia, 
o ar que eu respirava
a sensação relaxada e descontraída
um tempo mágico!

eu já sabia que sentiria falta
do parque colorido
do sol se pondo sobre as ondas
da grama verde e úmida

ruas lombadas 
bandeiras e starbucks
slides bebados e cerveja grátis
performances no palco

vejo as imagens e me transporto
nostalgico epero poder de novo
me perder entre o vento
e o sol de são francisco

30.3.09

dual core, please

o cérebro humano pode ser como um computador sem processador dual core, alías, eu não fiz nenhuma das cirurgias malucas de colocar dois corações, muito menos fui previlegiado de nascer com dois núcleos de processamento. então o meu pobre cérebro certamente nunca será um dual core. existem informações que demoram muito pra serem processadas e mesmo o tempo parece não dar conta de filtrar apenas o útil e mandar o spam embora.

logo eu que não tenho paciência com máquinas vou ter que me acostumar com o tempo do meu próprio cérebro, lento, diferente do esperado, sem possibilidade alguma de formatação, desfragmentação ou mesmo uma simples limpeza no hd. a memória até que funciona bem. mas o problema é no processamento e na assimilação de informações novas. 

preciso dar um tempo pra mim, pras tarefas de segundo plano. fechar os programas e reiniciar o sistema. vou dormir um dia inteiro e cruzar os dedos pra que as soluções fiquem mais claras e que eu volte a ter um ritmo apenas.

vacas

assistir televisão pode te fazer ter idéais absurdas sobre a realidade. na semana passada eu assistia a algum programa na tevê em que uma médica especialista em estética facial ensinava alguns exercícios de rotina para os músculos da face que normalmente por falta de uso começam a apresentar os primeiros sinais do passar dos anos quando nos vemos no espelho. a doutora mencionou também que "muitas pessoas" mastigam de maneira incorreta, fazendo simplesmente movimentos mandibulares descendentes e acendentes. então seguiu-se a reportagem e ela ensinou que o movimento correto da mastigação era o mesmo da vaca quando ruminava, movendo a mandibula primeiro para um lado e depois para o outro durante o movimento descendente até novamente morder o alimento. eu que comia qualquer coisa durante a reportagem tentei na mesma hora corrigir minha mastigação, o que me transportou a uma das minhas memórias de infância quando eu passava algumas horas de alguns dias observando as vacas "comerem".

nesse falshback eu não assistia a vaca e sim a mim mesmo fazendo aquele movimento estranho e ouvindo os estalos dos meus ossos enquanto eu ruminava a sobremesa. pensar em mim-vaca me levou a outra noção de realidade, me levou a uma cena num sopping center, na praça de alimentação e eu vi todas as pessoas ruminando seus fast-foods. as vacas pareceram por um momento tão felizes, porque as pessoas ruminando me fizeram ver que somos tão animais quanto a vaca (coisa que me esqueço com muita frequência), mas que ao contrário delas temos zilhões de coisas passando na cabeça, tantas sensações e sentimentos. pereceram todos estúpidos por pensarem tanto em tudo. porque não podemos ser simplesmente vacas ruminando nossa comida? porque temos que comer e pensar? porque temos que pensar até em parar de pensar e simplesmente ruminar. me senti uma vaca, uma vaca com crise existêncial.

22.3.09

velho mundo, mundo novo

estar de volta pro aconchego do lar foi estranho dessa vez. é como se o velho cheiro de casa minha entrasse diferente pelas narinas e produzisse uma sençação inesperada, o tempo pode passar em ritmos diferentes em países diferentes? certamente não, mas o fato é que o tempo é muito singular e individual, eu tenho certeza que o tempo que passei longe tem uma importância muito grande na minha vida e durou muito mais do que o calendário diz ter durado.

voar sobre meu porto alegre foi fantástico como nunca antes, ver aquela paisagem, os prédios, ruas, o trânsito, as pessoas, os lugarzinhos, me trazem cada minuto mais de volta ao meu mundo. mas o eu que pisa hoje nesse chão onde cresci e aprendi quase tudo que sei é muito diferente do eu que partiu a tão pouco e tanto tempo atrás!

viajar é um spray de pimenta nos olhos, cutucar a consciência com um alfinete, assistir a um filme sem sentido no volume máximo dentro de um quarto coberto de telas e interagir com os personagens, dormir em uma cama de pregos que não segue a distância mínima de separação pra garatir que eles não te furem, comer espetinho de grilos mal passados.

quando se sai desse turbilhão e volta-se ao seu, ao "seguro", tudo parece calmo e previsível demais e isso é bom e isso é ruim. a clareza com que é possível ver agora impressiona e facilita a movimentação. é como se eu estivesse em meio a um labirinto e por alguns minutos eu pudesse enxergar o caminho pra saída e pudesse escolher durante este trajeto os obstáculos que eu quero enfrentar e as armadilhas que eu devo evitar.

hoje a sala não é mais a mesma, apesar dos objetos estarem ainda nas mesmas posições existem detalhes que eu não via antes. esses detalhes acabam alterando o ambiente e eu consigo agora sentir melhor o que as cores querem me dizer, entendo o porque da posição do sofá e mesmo que a tevê não tenha o tamanho e nem a imagem ideal, a mensagem que ela me transmite é o mais importante. e poder entender a linguagem da sala me faz ver o que eu não via e sentir o que eu não sentia.

viajar é um intensivão de vida, onde se aprende a viver, a ver a vida que se tem e a escolher a vida que se quer.

14.3.09

voando

sensação estranha essa de estar voltando pra casa. agora que o cérebro estava tão aqui, tadinho. excesso de informações mais uma vez. usando a capacidade de adaptação na potência máxima nesses últimos meses vai acabar cansando e parando de funcionar!

não sei o que esperar, só chegando lá pra saber qual a sensação que essa volta pode produzir, porque agora, quando tudo ainda é futuro, me sinto bem em alguns momentos, me sinto triste de deixar tudo aqui em outros. viajar é sempre maravilhoso. pra quem tem espírito aventureiro e sede de novidades como eu é foda saber que vai levar um tempo pra que eu volte a seguir pra outro país e pra que eu bata de frente com outra cultura.

já sinto um vazio no peito, uma sensação de perda e ao mesmo tempo de vitória, conquista! sinto os últimos meses como se fossem anos, me sinto diferente sem nem saber em que sentido. olho no espelho e minha imagem me diz que a diferença é muito mais interna do que externa, mas vejo mais profundidade no olhar e a certeza da amplitude dessa mudança só vou saber quando pisar de novo na minha terrinha e ver as coisas com meus novos olhos.

que ansiedade de saber como meu corpo vai reagir. agora é pegar o avião e abrir a mente, sentir essa que deve ser uma das sensações mais inusitadas que se pode sentir. quero ver, ouvir, tocar tudo lá. me ver, me ouvir e me sentir lá! brasil, me aguarde! até breve!

12.3.09

preparar, apontar, fogo!

tequila e gosto ruim na boca, sim. mas assim eu posso escrever e ser feliz. ouço esse disco novo pensando que poderia soar como o antigo, e penso também na mala que já preciso começar a planejar, arranjar espaço para colocar as tralhas que trouxe e as tralhas que vou levar. penso no que vivo hoje e penso no que vou lembrar disso depois. é uma realidade que carece de cuidado e carinho, precisa-se de uma babysitter full time pra voltar pro caminho certo e que atualmente está se sentindo confusa e não sabe se a culpa é dela ou dos outros.

o que acontece quando se vai pra outro lugar é que se tem muitas sensações e visões do simples e do complexo. a percepção aguçada pela estranhesa das coisas desperta um senso de realidade difícil de se descrever, principalmente quando a música que eu gostava acabou. mas o sentimento maior que toma conta do meu peito agora é a confiança de que amadureci e aprendi muito. vai ser estranho voltar a ter dinheiro colorido e não ter pennys que só os americanos, com suas taxas que transformam os produtos em valores quebrados inacreditáveis, ainda acham necessário. acho que se juntar todas essas moedas de um cent posso comprar mais uma passagem pra wonderland!

eu não lembro mais como é o trânsito do brasil, estava pensando nas sinaleiras sem o sinal especial pra virar à esquerda e acabei chegando a conclusão de que o nosso trânsito é mais fácil, tudo bem que é sempre bom pegar a freeway pra chegar mais rápido no centro, mas e aí não se vê a cidade de perto, não se vê as pessoas. prefiro as sinaleiras e as pessoas. e as ruas?! aqui sempre tão retas e previsíveis, onde foram todas as curvas, será que quem planejou as cidades não pensou que às vezes uma curva faz bem, dá uma acordada e faz prestar mais atenção no que se está fazendo.

não sinto mais a comida apimentada, não sinto mais frio, não acho estranho falar inglês, não penso que o drive thru do banco é inútil, enfim, me acostumei com muitas coisas e sei que vou sentir falta de muito que eu vi e vivi aqui. outras referências e um contexto de vida mega diferente do brasileiro. mas a readaptação sem dúvida será muito fácil. minha terra, minha culltura, minha língua. pensar em pisar no brasil aquece e seduz. devo a essa experiência a minha nova noção de nacionalismo e minha certeza de que tenho muito orgulho de quem somos e de ter nascido brasileiro. sendo exposto a muitas situações que podem soar absurdas pra um americano, mas que formam pessoas extraordinárias, inteligentes e preparadas pra enfrentar a realidade.

é chegado o início de um novo tempo e nova era. o brasil nunca mais será o mesmo depois do que vivi, mas sem dúvida será sempre minha terrinha querida e por mais que existam lugares que me fizeram muito bem, sei mais do que nunca o valor de se estar em casa e perto de quem se ama. ok, i'm going to start packing!

5.3.09

beija eu

tic tac, tic tac
ai meu amor, o tempo não passa, falta fôlego pra correr mais rápido que o relógio. ontem eu tentei, mas me cansei e meu nariz sangrou. preferi optar pela rotina quebrada, mas planejada. tinha esquecido como é importante planejar, enfim, retomei. reformei o quarto, a sala e a lavanderia. sem falar do banheiro que já não se reconhece.

tic tac...
amanhã acordo cedo e preciso dormir antes que nem valha mais a pena deitar na cama. mudam os dias e mudam os cenários, mas cada vez menos tenho vontade de ir dormir, e quando durmo é cada vez mais difícil levantar. sou preguiço, confesso. mas não posso lutar contra minha natureza noturna que insiste em me deixar ligado na madrugada e quanto mais o relógio corre mais tesão e menos vontade de deitar, deitar até vai, mas não pra dormir. não agora.

o tempo vai e volta, quando eu acho que são quatro da manhã é apenas meia noite, ainda é tempo de dormir, mas o que eu quero mesmo é que o tempo passe pra que eu fique ainda mais próximo do fim e do reinício. início?

3.3.09

simpatia

eu vinha achando tudo lindo e maravilhoso, até chegar aqui. me sentia bem e confortável, tendo a sensação de que seria isso mesmo e que eu não precisava de mais, até chegar aqui. que lugar é esse? o que tem nesse ar? esse ar que entusiasma, cria sensações, diverte.

quando se está em um lugar estranho, seja outro país ou outra casa é normal existir um tempo para se adaptar e começar a se sentir parte do lugar, integrado de alguma forma ao cenário que está em volta. mas não aqui.

são francisco soa bem aos meus ouvidos faz muito tempo, mas mesmo com a quantidade de referências que se pode buscar na internet, livros, revistas eu não poderia imaginar que eu me sentiria tão em casa e tão bem acolhido por esse lugar. como é bom passear pela rua e ver alguém sorrindo sozinho, simplesmente por estar ali caminhano pela cidade que tanto ama e que exala bem estar e alegria.

sensações são únicas e cada um tem as suas obviamente, mas eu tenho a nítida impressão de que este lugar de alguma forma produz essa mesma sensação em um determinado tipo de pessoas. são francisco como disse um amigo parece acolher pessoas que não se encaixam em nenhum outro lugar, por diferentes motivos, e talvez seja essa mistura de pessoas, histórias e vidas que deixe a cidade ainda mais interessante. é um adicional a todas as belezas naturais e contruídas que existem aqui.

imprevisível são francisco, com todas as subidas e decidas não se pode saber muito bem quais surpresas vai se encontrar no caminho, mas a cada ladeira surgem novos detalhes, sensações e sempre uma paisagem fenomenal. cada cantinho parece ter uma história e cada lugar que se passa parece produzido pra encantar. triste é partir de um lugar onde se teve tantas experiências boas em tão pouco tempo. ficam pra trás vários momentos memoráveis e a sensação de que a missão aqui é muito maior e que ainda virão mais dias pra se viver frenética e calmamente na cidade mais interessante que eu já conheci (so far).

deixando san francisco
manhã 27 de fevereiro
so sad!

breathe

respirar aqui é mais fácil e saudável. a altitude cansa até mesmo os pulmõe mais jovens. recém chegado de viajem, depois de uma longa caminhada, a praia. tirei meu converse e minhas meias, dobrei a calça jeans até os joelhos e molhei meus pés nas águas nem tão geladas do pacífico. deiminui o som do ipod de leve e passei a escutar o mar, que faz o mesmo som aqui do outro lado do continente.

é impressionante a calma e a alegria que eu sinto só de estar aqui, sentir o sol quente no rosto, ver o mar de plano de fundo para a cabana do salva vidas, aquela mesma cabana que eu via nos filmes e na minha série favorita dos tempos de adolescência. os coqueiros, a arquitetura, as aves, conchinhas, tranquilidade e serenidade.

o tempo se torna quase irrelevante neste momento. não fosse a lembrança da data de volta e da passagem já comprada, eu poderia ficar aqui pra sempre, ou pelo menos por mais uma semana. mas eu sou maestro de mim e quem controla meu tempo sou eu. posso viver aqui um ano em apenas sete dias.


manhattan beach
23 de fevereiro 12:27
primeiras impressões californianas

20.2.09

dimensão x

sentimentalmente falando é difícil dizer o que eu sinto neste momento. fico pensando em quanto o aproveitar o momento pode ter significados diferente, e também que só estou pensando nisso pra justificar a realidade que não é a mais impolgante em alguns sentidos.

às vezes me sinto vivendo muitas realidades complicadas de se conciliar, sobrepostas em alguns momentos maravilhosamente bem, transformando a realidade numa dimensão inusitada, brilhosa e carismática, convidativa e interessante de se estar. mas tem outros momentos que simplesmente nada se encaixa e fica praticamente impossível de entender o significado da formatação das idéias e de tentar ouvir algum barulho e ver uma imagem focada.

viver num mundo que não é o seu insere uma série de barulhos ao seu dia que você definitivamente não consegue enxergar, imagens estranhas que soam inaudíveis, o tempo corre numa velocidade diferente, ainda mais quando se está alguns pés a mais de altitude. não dá pra saber muito bem se o seu cabelo está bagunçado corretamente ou se a camiseta combina com a meia!

pobre cérebro humano, apesar da capacidade de adaptar-se rapidamente as situações mais diversas, acaba se confundindo e misturando as coisas, trocando as línguas, os dias, pensando descordenadamente, acaba sentindo calor quando tem frio e achando que o dia está escuro demais para se dormir.

volto ao sentimento e compreendo que não devo pensar muito em pensar nem sentir muito o que estou sentindo agora, whatever, deixa que a ficha caia. é só dar tempo pros neurônios funcionarem e relaxar. se não for pra sentir nada também que seja um nada cheio de camadas confusas e palavras que não fazem sentido, porque aí pelo menos quando a ficha cair e não houver sentimento algum, gasta-se o tempo procurando um sentido pra essa confusão temporal e corporal.

17.2.09

holiday

hoje eu caminhei. caminhei até o sol se pôr no horizonte. caminhei até as nuvens da tempestade de neve cobrirem o céu azul pelo seu cinza esbranquiçado. caminhei até enjoar de caminhar, até a rua perder a graça. caminhei até onde ainda haviam novidades, até começar a chover.

na calçada havia aguá da neve derretida, entre a calçada e a rua: grama ou pedra. árvores secas de frio enfeitam a paisagem ao seu jeito. não se importam em não terem folhas coloridas ou flores e frutos, se bastam pelos seus galhos e conversam entre si pelas batidas deles.

a rua estava quase deserta em certos momentos, feriado também para os carros, e claro para os ônibus, ou melhor, para os motoristas. hoje é dia de caminhar, caminhar até enjoar, observar o que não pode ser observado pela janela do carro (ônibus).

hoje eu caminhei e não reclamei, caminhei e apreciei. olhei para a terra úmida e para a calçada rachada, vi o interior de muitas casas e as pessoas vivendo, vi aos outros e vi a mim mesmo. ouvi mesmo achando que não deveria ouvir e agradeci mesmo não tendo necessidade de agradecer. mas eu sou grato, por estar caminhando, observando, ouvindo e falando. então agradeci, e cantei e dancei.

14.2.09

entre agulhas e penas

gargarejo de aflição e angústia sobre meu próprio desejo ambíguo e narcisista. precisava do dinheiro e aqui estou. a sensação é engraçada, epaçada por apitos mecânicos. respiro com mais calma e presto atenção nesses malditos barulhos, porque a luz do “low” fica acesa de vez em quando? será que tem alguma coisa errada? prefiro que a fernanda se cale por um momento. na televisão mísseis e para quedas de emergência, no meu corpo agulha e sangue que se parte e se vai. máquina, anticoagulante, sangue. me conforto na cadeira e espero, momento de relaxar e de deixar voltar o que não lhes é útil. meu corpo recebe silencioso parte do que foi lhe tirado. me sinto sugado e frágil, mas ao mesmo tempo sei que vale o esforço. aqui o meu tempo é bem recompensado e se uns roubam e outros vendem o corpo pra ganhar dinheiro, eu prefiro vender uma parte do meu sangue que, espera-se, seja produzida novamente em menos de um dia.

a fernanda está depressiva hoje, versando sobre morte e seu cabelo com cortes ridículos, eu estou compreensivo e pensativo. pensando no que significa essa prostituição sanguínea na minha vida, pensando em como vou lembrar disso daqui a um tempo e dar risada. observo as pessoas passando na rua, nem parecem perceber o que acontece aqui dentro, o sinal fecha e os carros param e vão. o tempo corre mais rápido quando se lê poesia.

na cadeira do meu lado está uma senhora piadista, que parece não estar em momento algum sendo sugada pela máquina, pelo contrário, parece se alimentar da eletricidade e ficar cada vez mais agitada até que a língua não para e a cadeira já não parece ter mais posição nenhuma que seja confortável o suficiente pra ela, quando sai dali, sai apressada e contente. realmente ela deve se abastecer de alguma forma da energia da máquina. do meu outro lado o homem sentado parece sofrer do exato oposto da senhora elétrica, ele fala de tempos em tempos no telefone, mas fala tão baixo que é praticamente impossível de ouvir uma palavra que lhe sai da boca, leitura labial, impossível, ele também não mexe muito a boca pra falar. acho que a senhorinha pode ter sugado a energia do pobre coitado.

sinto a boia inflar e pressionar meu braço, hora de bombar a mão. a fernanda está no prédio mais alto de são paulo observando o suicídio de um pobre pássaro branco, que encharca suas penas brancas de sangue no asfalto. eu viajo pela rua, vejo a barraca de tacos onde os mexicanos conversam animados e a banca de revistas com cigarros e pornôs em promoção. vejo um carinha no telefone dando risada e meu sangue na mangueira, que cenas. penso na risada da enfermeira e na cantada que o colega de trabalho deu nela na frente dos pacientes. eles trabalham como se estivessem num escritório e nós fossemos os computadores, não ligam pra o que ouvimos ou deixamos de ouvir, a senhora elétrica parece conhecê-los bem e já conversa informalmente com eles, como vizinhos de muitos anos.

eu deixo eles de lado e vejo a fernanda retocando o batom e tendo uma noite de prazer com um ex-amor, depois do sexo acorda em meio aos cupins sem asas, que procurando alimento na casa antiga de madeira. eu procuro ver quanto tempo falta pra que minha sessão acabe e a máquina prontamente me avisa que eu estou pronto pra ir.

depois do processo final eu me levanto, coloco meu casaco, pego meu dinheiro e saio. o ar frio da rua me envolve o corpo e me sinto bem, dou uma risada da situação, pego o carro e sigo. ah vida.

9.2.09

o caminho


pra onde o caminho leva? são tantos os caminhos que perder o foco é comum, mais do que comum, difícil é ter foco e achar o caminho.

caminho certo? olha, deve existir.

deixar migalhas? dizem que o bom é sempre buscar caminhos novos e seguir em frente, e mesmo que se volte, provavelmente o caminho não será mais o mesmo, a chuva insiste em levar as migalhas, é provável que a chuva acredite na história de se buscar sempre o novo.

voltando ou seguindo em frente, mais importante que se saber o caminho por onde anda é saber o que se quer encontrar no caminho, e saber aproveitar as surpresas que sempre surgem, é nas surpresas que se pode aprender a dar valor ao que é realmente importante na vida.

o que é importante na vida? ...

sucessão do tempo

o tempo voa quando se vive
o tempo demora quando se espera
o tempo é relativo

quanto tempo hoje teve?
7 minutos?
7 horas?
7 dias?

depende...
depende.

6.2.09

ônibus torrada

hoje pela manhã quando acordei atrasado, me vesti, arrumei o cabelo e sai correndo de casa, sem escovar os dentes, com dois pedaços de pão torrados na mão, angustiado, achando que provavelmente o bus já era, pensei que eu poderia correr! correr e lembrar dessa corrida como uma metáfora absurda à minha vida.

sim, eu poderia ser o pão que não ficou o tempo necessário na torradeira e teve que mesmo assim ser bom e matar a minha fome, ou então meu cabelo que tentava ser algo que não era e decidiu ser ele mesmo, não ligando mais para os outros cabelos, ou o que esses pensaríam dele. eu poderia ser meus dentes, que nem sempre recebem o cuidado que merecem, mas são constantemente cobrados e exigidos pela brancura do comercial de pasta de dente e se frustram pois ainda precisam de muitas horas de colgate total 12 pra atingirem o primeiro quadrado de brancura da embalagem.

eu podia ser eu mesmo, nessa manhã gelada, da gelada salt lake city. desajeitado e cambaleando pra sair da cama. com cara de sono e boca cheia entrando no ônibus, comprimentando o cobrador mau humorado do primeiro horário. eu, eu mesmo, indo pro trabalho e vendo as pessoas a minha volta e tentando me imaginar no meio delas. a cena projetada na minha mente se parecia bastante com o filme da semana passada, ou de um ano atrás. aquele filme, o qual venho escrevendo o roteiro fazem mais de duas décadas e que ultimamente vem ganhando umas locações incríveis.

pode ser que essa cena atordoada e desfocada da manhã gelada, da torrada e do ônibus nem entre na edição final, mas essa imagem sendo registrada, esse flash contorcido faz sim parte do enredo e a figura do jovem e sua torrada, tentando atrapalhadamente colocar os fones de ouvido enquato come, pega a carteira e para o ônibus na parada branca de neve fará diferença no desenrolar da história, e cada passo dado, cada nova cena gravada, seja ela relevante ou não pra história final, faz mais sentido agora do que fez a dois meses atrás.

1.2.09

lição do dia

tá bom pra mim, sabe?! sim, meu sonho, um deles, mas também, não é tudo isso não. não epera muita coisa porque não é. eu acho que se tivesse vindo pra cá a algum tempo atrás, antes de conhcer quem eu conheço, antes de saber o que eu sei, fosse me encantar mais e querer ficar aqui como todos me diziam que eu me sentiria, pois é, eu mesmo cheguei a pensar nisso, mas estando aqui eu vejo onde estive e me sinto abençoado por ter meus amigos e minha família e valorizo cada vez mais tudo isso. um dos grandes motivos de ir se viajar é se dar conta disso mesmo, do que se tem ou do que não se tem na sua origem.

muitas das pessoas que viajam e não voltam são pessoas sem estrutura nenhuma, em todos os sentidos, e acabam por motivos diferentes percebendo que o melhor que tem a fazer é ficar se manter afastados de tudo aquilo que não tinham ou que não lhes fazia sentido. ir para um país de primeiro mundo pode encantar sim, pode fazer sentir bem, e faz, sem dúvida, quando se tem um emprego e uma vida nestes lugares pode se ter coisas que não são tão facilmente possíveis nos lugares de onde se veio. fugitivos de países em guerra, fugitivos de qualquer ambiente insalubre se facinam, mas esse não é o meu caso.

num primeiro momento é tudo ótimo, lindo e maravilhoso, num segundo as diferenças se ampliam e o corpo e a mente começam a se debater, como um peixe fora da água, falta ar. depois vem a hora de se dar conta de muitas coisas, se dar conta de que para ser um cidadão do mundo basta estar no mundo, em qualquer lugar dele. de se dar conta do que se tem, de aprender a dar valor, ainda mais, as pessoas e ao não material, minha viagem vem me ampliando a visão do que eu considero importante, seja certo ou erado e quanto mais eu vejo menos eu quero ver.

o preço a se pagar nem sempre vale o retorno, o material traz satisfação instantânea, o sentimental fica, mas que sentimento fica do material? nenhum. aprender e sentir é mais importante do que qualquer outra coisa, e é gratuito, pena que o que é de graça não atrai a todos, muitos preferem pagar pelo instantâneo e nem percebem o que perderam. paciência, cada um leva na vida a bagagem que lhe faz mais sentido, uns pagam excesso de bagagem, outros esquecem a mala e carregam mais bagagem do que se possa imaginar.

23.1.09

considerações

nem sempre o mundo gira no ritmo que precisamos que ele gire, a natureza tem seu tempo e os acontecimentos cotidianos acompanham esse tempo, naturalmente. almejar alguma coisa, algum acontecimento, qualquer que seja o desejo, acaba criando expectativa. ando pensando muito em que tipo de reação uma expectativa não alcançada pode produzir nas pessoas. definitivamente a reação é mais forte a medida que a expectativa foi alimentada. algo que mal se pode pensar em ter não poderá produzir grandes efeitos caso não seja alcançado, agora, grandes planejamentos que acabam saindo como um tiro pela culatra pode prouzir uma reação desmedida e desnecessária.

quando algo planejado por muito tempo caminha por um trajeto diferente do esperado nem sempre significa algo ruim. entre uma página e outra da internet acabei me deparando com uma comunidade no orkut onde as pessoas discutiam frases irritantes e alguém citou “as coisas acontecem como devem acontecer” e outra disse que ficava irritadíssima quando alguém lhe dizia “o que tiver que ser será, o que é teu está guardado”. ok pode ser irritante sim, em determinada situação ouvir uma frase destas, mas de qualquer forma, assim como qualquer frase que vem sendo repetida por gerações, elas fazem sentido. num momento em que o planejamento de uma noite, viagem, férias, relacionamento não funcionar, não foi necessáriamente por algum descuido pessoal. existem sempre situações adversas que fogem do controle e que podem encaminhar as coisas pra uma direção inesperada, e das surpresas aprende-se e vive-se sempre algo memorável. basta permitir que isso aconteça.

pra continuar na pilha do popular, “a cada esquina uma surpresa” e correr nem sempre, ou quase nunca é a melhor solução. às vezes, quando o mundo parece conspirar contra é que as coisas começam a dar certo, ou pelo menos histórias fotos e experiência se adquiriu nessa brincadeira.

11.1.09

momentos, lembranças

momentos vem e vão na vida , alguns se repetem outros parecem já ter acontecido, mas na verdade é mais um de ja vu que confunde o pensamento e trás aquela sensação de desconforto investigativo. existem momentos especiais e momentos insignificantes. eu vivo um momento em que me dou conta de que muitos momentos insignificantes são especiais! aquele dia em que eu fiz nada com aquela pessoa durante muito tempo pode me trazer recordações brilhantes agora e posso aprender com cada uma daquelas recordações.

as recordações podem nos ensinar, refletem no presente de tal forma que chegam a incomodar. a verdade se torna mais pura e fácil de entender quando é recordada. o presente na mairia das vezes trás muitas informações e assimilar elas é praticamente impossível de cara, sem pedir um tempo pro tempo e parar pra colocar as idéias no lugar. mas quando falamos de ontem, de recordações se torna mais fácil. assistir um filme pela segunda vez trás outra visão dos acontecimentos. isso acontece com a vida. por isso que as situações repetitivas se tornam fáceis de lidar, mas o novo num primeiro momento sempre trás insegurança e fragilidade. nos faz tomar decições precipitadas e nem sempre as mais corretas, mas como a vida não é um filme e não é possivel voltar e reassistir para que algumas atitudes sejam mudadas ou para que se possa prestar mais aternção a certos detalhes que quando se teve a oportunidade não se prestou, o melhor a se fazer é aprender a viver com os detalhes e prestando atenção nos momentos, momentos que podem não chamar atenção num primeiro momento, mas que farão a diferença no conjunto da ópera. são os detalhes que deixam o movinto preciso que definem a qualidade do trabalho, da vida. prestar atenção aos detalhes faz toda a diferença.

nesse momento de novidades diárias eu sinto que devo viver devagar, brecar o tempo o máximo que eu puder, sei que quando pensar neste momento e quando ele se tornar uma recordação de viagem, vou ver coisas que não vi agora e isso produzirá sensações diferentes das que senti agora. a minha tentativa humana e frágil com as novidades é tentar ser o mais forte e gigante que puder, e através disso sentir e ver tudo que cada novo lugar, cheiro, imagem, me produzir! não é nada fácil e às vezes o resultado deste trabalho é de forte carga emocional.

cresço a cada passo aqui. cresço e vejo cada vez mais, amplio o horizonte e o mundo parece fazer um pouco mais de sentido a cada amanhcer. mesmo que a neve me impeça de viver como eu gostaria em alguns dias, até mesmo essa impossibilidade é engrandecedora. poder viver isso é mágico. agora me fogem as palavras, mas cresce o material para os próximos textos, a cada segundo.