assistir televisão pode te fazer ter idéais absurdas sobre a realidade. na semana passada eu assistia a algum programa na tevê em que uma médica especialista em estética facial ensinava alguns exercícios de rotina para os músculos da face que normalmente por falta de uso começam a apresentar os primeiros sinais do passar dos anos quando nos vemos no espelho. a doutora mencionou também que "muitas pessoas" mastigam de maneira incorreta, fazendo simplesmente movimentos mandibulares descendentes e acendentes. então seguiu-se a reportagem e ela ensinou que o movimento correto da mastigação era o mesmo da vaca quando ruminava, movendo a mandibula primeiro para um lado e depois para o outro durante o movimento descendente até novamente morder o alimento. eu que comia qualquer coisa durante a reportagem tentei na mesma hora corrigir minha mastigação, o que me transportou a uma das minhas memórias de infância quando eu passava algumas horas de alguns dias observando as vacas "comerem".
nesse falshback eu não assistia a vaca e sim a mim mesmo fazendo aquele movimento estranho e ouvindo os estalos dos meus ossos enquanto eu ruminava a sobremesa. pensar em mim-vaca me levou a outra noção de realidade, me levou a uma cena num sopping center, na praça de alimentação e eu vi todas as pessoas ruminando seus fast-foods. as vacas pareceram por um momento tão felizes, porque as pessoas ruminando me fizeram ver que somos tão animais quanto a vaca (coisa que me esqueço com muita frequência), mas que ao contrário delas temos zilhões de coisas passando na cabeça, tantas sensações e sentimentos. pereceram todos estúpidos por pensarem tanto em tudo. porque não podemos ser simplesmente vacas ruminando nossa comida? porque temos que comer e pensar? porque temos que pensar até em parar de pensar e simplesmente ruminar. me senti uma vaca, uma vaca com crise existêncial.
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