12.3.09

preparar, apontar, fogo!

tequila e gosto ruim na boca, sim. mas assim eu posso escrever e ser feliz. ouço esse disco novo pensando que poderia soar como o antigo, e penso também na mala que já preciso começar a planejar, arranjar espaço para colocar as tralhas que trouxe e as tralhas que vou levar. penso no que vivo hoje e penso no que vou lembrar disso depois. é uma realidade que carece de cuidado e carinho, precisa-se de uma babysitter full time pra voltar pro caminho certo e que atualmente está se sentindo confusa e não sabe se a culpa é dela ou dos outros.

o que acontece quando se vai pra outro lugar é que se tem muitas sensações e visões do simples e do complexo. a percepção aguçada pela estranhesa das coisas desperta um senso de realidade difícil de se descrever, principalmente quando a música que eu gostava acabou. mas o sentimento maior que toma conta do meu peito agora é a confiança de que amadureci e aprendi muito. vai ser estranho voltar a ter dinheiro colorido e não ter pennys que só os americanos, com suas taxas que transformam os produtos em valores quebrados inacreditáveis, ainda acham necessário. acho que se juntar todas essas moedas de um cent posso comprar mais uma passagem pra wonderland!

eu não lembro mais como é o trânsito do brasil, estava pensando nas sinaleiras sem o sinal especial pra virar à esquerda e acabei chegando a conclusão de que o nosso trânsito é mais fácil, tudo bem que é sempre bom pegar a freeway pra chegar mais rápido no centro, mas e aí não se vê a cidade de perto, não se vê as pessoas. prefiro as sinaleiras e as pessoas. e as ruas?! aqui sempre tão retas e previsíveis, onde foram todas as curvas, será que quem planejou as cidades não pensou que às vezes uma curva faz bem, dá uma acordada e faz prestar mais atenção no que se está fazendo.

não sinto mais a comida apimentada, não sinto mais frio, não acho estranho falar inglês, não penso que o drive thru do banco é inútil, enfim, me acostumei com muitas coisas e sei que vou sentir falta de muito que eu vi e vivi aqui. outras referências e um contexto de vida mega diferente do brasileiro. mas a readaptação sem dúvida será muito fácil. minha terra, minha culltura, minha língua. pensar em pisar no brasil aquece e seduz. devo a essa experiência a minha nova noção de nacionalismo e minha certeza de que tenho muito orgulho de quem somos e de ter nascido brasileiro. sendo exposto a muitas situações que podem soar absurdas pra um americano, mas que formam pessoas extraordinárias, inteligentes e preparadas pra enfrentar a realidade.

é chegado o início de um novo tempo e nova era. o brasil nunca mais será o mesmo depois do que vivi, mas sem dúvida será sempre minha terrinha querida e por mais que existam lugares que me fizeram muito bem, sei mais do que nunca o valor de se estar em casa e perto de quem se ama. ok, i'm going to start packing!

No comments:

Post a Comment