6.2.09

ônibus torrada

hoje pela manhã quando acordei atrasado, me vesti, arrumei o cabelo e sai correndo de casa, sem escovar os dentes, com dois pedaços de pão torrados na mão, angustiado, achando que provavelmente o bus já era, pensei que eu poderia correr! correr e lembrar dessa corrida como uma metáfora absurda à minha vida.

sim, eu poderia ser o pão que não ficou o tempo necessário na torradeira e teve que mesmo assim ser bom e matar a minha fome, ou então meu cabelo que tentava ser algo que não era e decidiu ser ele mesmo, não ligando mais para os outros cabelos, ou o que esses pensaríam dele. eu poderia ser meus dentes, que nem sempre recebem o cuidado que merecem, mas são constantemente cobrados e exigidos pela brancura do comercial de pasta de dente e se frustram pois ainda precisam de muitas horas de colgate total 12 pra atingirem o primeiro quadrado de brancura da embalagem.

eu podia ser eu mesmo, nessa manhã gelada, da gelada salt lake city. desajeitado e cambaleando pra sair da cama. com cara de sono e boca cheia entrando no ônibus, comprimentando o cobrador mau humorado do primeiro horário. eu, eu mesmo, indo pro trabalho e vendo as pessoas a minha volta e tentando me imaginar no meio delas. a cena projetada na minha mente se parecia bastante com o filme da semana passada, ou de um ano atrás. aquele filme, o qual venho escrevendo o roteiro fazem mais de duas décadas e que ultimamente vem ganhando umas locações incríveis.

pode ser que essa cena atordoada e desfocada da manhã gelada, da torrada e do ônibus nem entre na edição final, mas essa imagem sendo registrada, esse flash contorcido faz sim parte do enredo e a figura do jovem e sua torrada, tentando atrapalhadamente colocar os fones de ouvido enquato come, pega a carteira e para o ônibus na parada branca de neve fará diferença no desenrolar da história, e cada passo dado, cada nova cena gravada, seja ela relevante ou não pra história final, faz mais sentido agora do que fez a dois meses atrás.

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