24.11.10

introspect

ando passando mais tempo comigo mesmo, pensando, pouco escrevo e se escrevo, guardo. ando achando o mundo muito cheio de opinião, todo mundo é especialista em todos os assuntos, qualquer artigo ou matéria em revista/jornal parece produz a capacidade de argumentação nas pessoas. isso me aborrece. os meus filtros parecem nunca grandes o suficiente para barrar tamanha quantidade de lixo que é atirada no ventilador da web e que se espalha por sites, emails, spans.

não quero ser mais uma opinião sem argumentos, exposta e escancarada na internet, disponível a quem quer que seja, a troco de nada. mas hoje, quando entrei no blog, tirei as teias de aranha do interruptor, liguei a luz fraca que iluminou minha gaveta de rascunhos e a abri, encontrei comigo e me dei conta de que se aqui escrevi é porque me fazia bem, e que não entrego a qualquer umas chaves da minha gaveta. posso usar de artimanhas e códigos no cadeado que escondam entrelinhas e que formem um acervo que fará ainda mais sentido daqui a algum tempo, desde continue a ser desenvolvido esporadicamente.

chega de guardar tudo, digitar palavras, frases, parágrafos, funciona como um diálogo interno, que pensa e responde, às vezes desabafa, interpreta, fantasia. mas escrever é gás de pensamento, é ampliação de sentidos e horizontes. um texto guarda uma memória diferente de uma imagem ou de uma fração de vida. um texto é momento, é sensação, é pra saber por toda eternidade o que se sabe nesse segundo. posto hoje um lembrete para mim mesmo e para lembrar é importante registrar.

29.3.10

dance, dance, dance

new start

importante passar por alguns conflitos internos,
estes sempre veem seguidos de novas descobertas
e momentos importantes.

tudo que se precisa,
às vezes,
é de uma pequena mudança,
uma chance de fazer diferente,
de se reinventar.

hoje eu recebo minha chance e
vou fazer
o que devia ter feito
desde o início,

ser o que eu sou,
ser feliz,
ser o que for preciso
para sentir
que encontrei o equilíbrio.


16.2.10

a espera

tem esses dias em que se acorda com uma vontade louca de fazer qualquer coisa que passar pela cabeça. sorrir para alguém especial, ou para qualquer um, beijar um poste, pular amarelinha na calçada, dar piruetas na faixa de segurança, cantar desafinadamente bem pelas ruas, se libertar. outros em que parecem não existir atitudes boas o suficiente e o melhor que se faz é observar.

me divido em momentos muito bons ou muito ruins e por mais que aparentemente esteja tudo certo, sinto um tumulto insuportável por dentro. essas coisas ruins que dão vontade de jogar tudo pro alto e começar de novo.

o que fazer com ansiedade e angústia acumuladas? não sei por onde começar as mudanças num momento que me vejo tão preso e com movimentos restritos. a minha única opção realmente é confiar na maior das incertezas, o tempo.

lidar com o que não se tem, ou com meus anseios, é muito difícil, é uma guerra sem inimigos, onde a vitória parece não se materializar. as estratégias são invisíveis e não existe nada palpável a que se apegar. me resta apostar e esperar, como numa corrida de cavalos onde a minha parte já foi feita e agora está na mão de outro fazer o que é preciso para alcançar meus objetivos.

me distraio com outros detalhes e deixo a cena principal acontecendo, às vezes acompanho, às vezes não. diálogos vazios e encenação não fazem meu estilo, sou intenso e sensível demais para interagir com o que não me diz respeito, nem sempre sentar e assistir é a pior alternativa. eu só quero que toda essa espera me traga algo de positivo, e enquanto isso eu me imagino dando piruetas pela rua, sorrio por dentro e faço cara de quem presta atenção e está presente, mas no fundo estou com o mudo e o "forward" ligados, seja o que o tempo quiser.

15.2.10

desaprendendo


pontos de interrogação
e exclamação
todos espalhados e misturados
em volta,
me afogam e atrapalham

uma vida cheia de certezas?
acho que nunca vou saber
quando tudo parece resolvido
transformação
e tudo muda e nada mais tem sentido

16.1.10

mosaico

é como se eu estivesse colando pequenos pedaços de azulejos num poço muito profundo e produzindo uma obra de arte invisível, onde um mundo de alegrias se forma abaixo dos meus olhos mas eu não posso participar. fico ali e sigo colando cores e estampas no concreto, esperando que o resultado fique bom, mesmo que ninguém perceba, eu sei que é através do meu esforço que construo esse mundo. obra prima.

nem sempre os momentos são os melhores e às vezes penso que todo esse esforço é em vão! de que adianta pensar na obra pronta se ainda faltam tantos espaços a serem preenchidos? será que está longe o momento de olhar para minha parede e perceber que o resultado já é satisfatório o suficiente para me sentir confortável com todo esse conjunto de incertezas que o processo produtivo envolve?

me sinto criança, frágil e bobo, por viver sempre esperando pelo momento de acordar e continuar minha colagem de fragmentos, meu jogo inacabado, minha re(i)novação. têm esses momentos quando me dou conta de que sigo pensando na vida como se fosse uma grande obra de arte e não entendo se isso é bom ou ruim. sensibilidade é necessária para criar e experimentar, mas torna também algumas situações complicadas de processar. a vida pode ser muito mais dura para os sensíveis e cada vez mais me vejo enfrentando a fragilidade do meu ser e aprendendo com ela.

quando me pego olhando muito tempo para alguma situação cotidiana e me divertindo com as possibilidades que cada um destes momentos tem, como num filme com múltiplas continuações, ou quando observo detalhes de uma folha seca qualquer, com algumas partes faltando e marcas pela sua extensão e penso nos lugares por onde ela esteve, voando, levada com o vento e posso sentir no meu rosto a brisa do que imagino ser uma folha, leve o suficiente para ser levado ao bel prazer do vento, como uma pena recém caída que simplesmente vai e gira e desce e sobe. quando sinto isso sei que minha obra de arte está no caminho certo. mesmo que alguns dos pedaços deste grande mosaico estejam desalinhados agora, depois de rejuntados farão parte de um todo bem composto e bonito de se ver, com suas imperfeições todas juntas formando um emaranhado de histórias, cada pedacinho com um significado, símbolos de existir e da existência. da minha existência.

10.1.10

a place called heaven

vida, surpreendente vida! eis me aqui esperando um retorno do trem que me atropelou na noite passada e me deixou parado nessa estação distante que fazia tempos não via. onde estou nem consigo explicar, um lugar estranhamente familiar que me remete ao passado e me deixa saudosista, quero voltar para o equilíbrio da consciência, quero voltar para casa!

(written a while ago)

9.1.10

refletindo

trilhas

dia estranho esse em que eu acordo e a imagem do espelho está diferente da que lembrava. pareço refletir a lição aprendida recentemente, marcado com um sinal que só eu posso ver. será que cada marca de expressão no meu rosto é também acompanhada de um aprendizado? e que cada vez mais vou saber o que cada ponto ou linha estampada em mim significa?!

entendo melhor hoje o significado da tatuagem e penso que crio em mim tatuagens naturais. o tempo e a vida me ensinam e marcam em mim seus ensinamentos, como uma pedra esculpida pela passagem do tempo e do vento, me sinto parte da natureza!

pudéramos nós desenvolver a capacidade de ler essas marcas em tudo que vemos e seríamos, sem dúvida, mais respeitadores e compreensivos com tudo que nos cerca. mas a capacidade dessa leitura vem junto com minhas próprias marcas e posso, cada vez mais, entender a "magnitude do infinito".

4.1.10

o que fazer com um ano novo?

um novo ano se inicia e aquela vontade clássica, que afeta a grande maioria dos seres humanos que eu conheço, de buscar e mudar chega com ele. o fato é que começo, eu também, mais revigorado e motivado para procurar novos horizontes e voltar a realizar velhos hábitos que, por algum motivo, deixei de realizar.

neste ano vou tomar ainda mais água. vou comer ainda mais salada. acordar cedo com mais gosto e vontade. firmar meus laços e curtir ainda mais minhas relações. conhecer mais pessoas. valorizar meu corpo. ouvir minha respiração. ler. escrever. viver!

onde estive nos últimos meses que esqueci de escrever, de registrar o que eu pensava. minha memória fraca já não lembra de muitas das situações importantes e revelações que eu tive nestes últimos tempos, e por isso que volto a digitar sensações, para que ali adiante eu as relembre e reveja, para que eu sinta novamente como o meu coração batia a cada momento, sem precisar pensar por horas onde e quando eu descobri alguma coisa. volto a dedilhar entrelinhas e meus paradoxos, para que quando o ano que vem chegar eu possa reler o que eu esperava e saiber quão sonhador ou pessimista eu fui.

o vazio já não faz sentido. não pensar e não falar não me servem mais, não tornam nada menor e menos difícil de lidar. quero esmiuçar meus sentimentos para senti-los! quero sofrer mais e amar mais. quero ora quebrar a cara e ora conquistar. quero aprender mais sobre quem eu sou e o que eu busco, me conhecer em detalhes e aprender a me descrever, ao que sou hoje, as mudanças pelas quais estou passando e ser mais racional sobre mim.

neste ano quero tomar providências de impacto, aquelas que nem todos entendem, mas que me firmam pessoa e indivíduo, quero ganhar meu diploma de auto conhecimento e me tornar mais fiel ao que me rege e me é importante. quero ter fé e acreditar no que parece impossível. quero ser eu acima de tudo, ser eu criança e eu adulto. ser livre para brincar de casinha e ler filosofia ao mesmo tempo. e mesmo que nada seja absoluto e eu me transforme a todo momento, saber entender essa transformação já a torna mais coerente e acertada. vou viver, aprender todo dia e dessa vez vou lembrar, amanhã quando eu acordar eu somarei o hoje ao todo e serei mais completo e consciente. farei disso um hábito (in)consciente e viverei melhor.