20.11.08

entre taças e vinhos

sempre pensei que tudo estivesse tomando um rumo certo e que as minhas decisões estavam já de certa forma fundamentadas em bases sólidas o suficiente para que a construção não pudesse ser abalada. me enganei!

o tempo é e sempre será o grande transformador do presente e principalmente da realidade em que estamos vivendo, hoje quando acordei eu percebi que nada do que eu sabia era o mais correto como eu imaginara e que  ainda sou e vou continuar sendo durante a minha vida inteira um pequeno aprendiz. tentando sobreviver em meio a tantas opções e informações.

quanto menos opções mais fáceis se tornam as escolhas, mas não é essa a realidade que aí está, muitos caminhos aparecem e tornam as escolhas mais e mais complicadas e quando se quer experimentar de tudo e a ânsia de saber é muito grande as barreiras também se tornam muitas.

as pessoas mudam de opinião o tempo inteiro, cada vez menos conheço aquele tipo padrão, que se sentem plenamente realizados com suas escolhas e que nada querem mudar nas suas vidas. por quê? excesso de informações? talvez. globalização? provavelmente. 

num mundo de dez quarteirões tudo é mais simples e fácil, as opções se restringem e uns se encaixam nisso e outros naquilo. o fato é, são as pessoas deste mundo realizadas com as suas vidas? ou vivem nesse mesmo paradigma (errôneamente contemporâneo) e nem mesmo percebem. acabam permanecendo vivas e aguardam calmamente que o tempo termine para que possam recomeçar em outro lugar uma vida nova para tomarem as decisões certas e finalmente viver como desejaram durante tanto tempo em silêncio, com medo de que qualquer manifestação pudesse deixá-las em situação ainda pior do que a já se encontravam.

hoje recomeçar se tornou mais fácil. claro que ainda há quem continue apenas existindo e buscando em uma novela, livros, filmes, uma realidade mais satisfatória e um abrigo longe da chuva fraca que insiste em cair fraca e constante sobre a cabeça e pesar sobre os ombros. mas de conformismo sempre estaremos cercados. os que tem discernimento para enxergarem luz em um novo começo sempre poderão se orgulhar de pelo menos uma coisa: terem tentado, e se a tentativa não for eficaz, outro caminho há de surgir. errar e aprender, em um momento a clareza de todo esse empirismo deve resultar na realização interna. melhor morrer nadando do que desistir sem nem tentar.

eu?

sigo nadando.

17.11.08

visão futura

respire o ar e sinta o novo
nem tudo que parece certo é o mais correto
às vezes deixamos de enxergar porque não vemos
quem vê enxerga,
quem enxerga amplia sua visão!

ampliar o mundo é fácil
basta olhar além do comum
do cotidiano, do formal e rotineiro
boring

entendo que alguns se contentam com isso
o que eu não admito é o que não quer ver o óbvio
quem se fecha pro que realmente deseja
desejar e não fazer é a maior burrice

olhe em volta
perceba que o mundo é o presente
viva o hoje sonhando com o amanhã
mas viva o hoje!

se fizeres algo hoje que parece estar no caminho dos seus desejos, mais próximo estarás deles e mais fácil será no presente futuro alcançares o que hoje não passa de um fruto da sua imaginação. basta querer e fazer alguma coisa, nem que seja um ato minímo, mas se este for condizente com o que desejas estará trilhando o caminho da felicidade e quando menos perceberes o mundo que te cercas será o mundo com que a um tempo atrás tu sonhavas! isso é a vida e é a maneira com que as coisas acontecem! pensar de outra forma acaba afastando os desejos e a realidade sonhada, também vale imaginar a vida como se gostaria que ela fosse e se estiveres seguindo pelo caminho do desejado em pouco tempo serás a tua vida, a tua realidade, a mesma do teu sonho! então viva, sonhe e busque! o sonho pode sim e certamente se tornará real!

6.11.08

ansiedade

eu anseio, tu anseias ... isso nem sequer é um verbo?!

em épocas de vacas magras a fome leva à loucura e mata. se não morre de fome será morto para servir de alimento, é a lei da selva. sobrevivência, evolução, enfim, essas coisas que nos fezem acreditar.

e a "morte de ansiedade", se mata com o quê? tem aqueles que comem, que comem muito, mas se matam de tão gordos e a ansiedade só faz com que anseiem por mais e mais comida. tem quem fume, mas fumam tanto que não podem correr até o mercado pouco antes de fechar sem ter uma crise de tosse e morrer dali a um tempo por enfisema. tem os que se drogam, mas acabam com uma overdose e a ansiedade vence de novo!

passo passo passo. será que se pode matar a ansiedade com alguma coisa mais saudável? tipo lendo, lendo, lendo e torna-se um intelectualóide/ansioso? há quem o faça. ou então levantando peso, tornar-me-ei um troglodita/ansioso.

eu, de fato, ainda não descobri algo especifico que me relaxe por tempo indeterminado, que me deixe tranquilo e aberto ao dia e a noite. o que sei são sobre pequenas doses de ajuda que logo passam e vão e volta a ansiedade.

o ansioso normalmente aguarda alguma coisa num tempo futuro que pode ou não chegar, mas é a possibilidade que atrai ao ansioso, e eu, agora anseio que o tempo custe a passar, para que tudo possa ser feito antes de partir. quão contraditória é essa sensação? me dá calafrios e me deixa sem entender. como eu posso querer que o tempo passe e não passe ao mesmo tempo? am i getting crazy?

enquanto eu continuo essa discussão mental surda e muda me distraio com a burrice além da minha, com a limpeza da minha futura ex-casa, com a cozinha, com minha garganta que estava saudosa de inchar e ser melhor cuidada, com livros, cigarros, corridas, fotos, músicas e com o pó que me cerca e me deixa ainda mais ansioso para que o tempo passe e não passe!

16.10.08

sentidos

sentar, ouvir, sentir.  água na pele durante um banho de chuva, as sensações que isso produz são inenarráveis. o sr oscar metsavaht dessa vez criou um lance de chuva de verão na coleção nova da osklen e consegue transformar esse momento numa roupa que vai dos pingos graúdos ao crepúsculo do final do dia de chuva.

quando se faz com o coração e vocação se extrai o inesperado, se tira ouro de pedra e transporta a quem estiver vendo, vestindo, apreciando a arte do fazer para outros lugares sem que nada se mova. produzir sensações através do meu trabalho, também quero.

chega de engessamento profissional, quero fotografia e arte, quero viver! quero esquiar no gelo e dar valor ao branco da neve e ao verde da grama depois que a água se transformar de novo em líquido. viver e ver. ver e viver!



14.10.08

ali, bem na frente!

hoje eu não tenho nada a escrever, o silêncio me traz apenas pensamentos que são intímos demais para que eu possa transpor literalmente em qualquer meio, seja físico ou virtual. também não quero metaforizar meus sentimentos, porque se preciso me expressar de alguma forma, será de forma direta e sincera, muitas mensagem costumam passar entre as minhas linhas, muitas mensagens minhas, normalmente para mim mesmo. quando se escreve limpo e sem nada por trás do que se vê e se lê, este soa mais sincero e real. por isso a forma sincera e direta. para ser sem mensagens por trás.

dar-se conta sobre algo que está na nossa frente e não enxergamos é muito difícil. sim, obviamente, pois se não enxergamos alguma coisa é porque temos alguma deficiência ou porque ainda não sabíamos da existência desta. pois bem, então todas aquelas vezes em que ouvi alguém dizendo "como tu não te deu conta, se isso estava bem ali, na tua frente, o tempo inteiro" fizeram sentido para mim agora. era como se eu acabara de descobrir todas as coisas na frente de todos os tempos, de todas as pessoas.

depois que eu aprendi alguma nova expressão numa língua estrangeira, quando ela aparecia em um filme eu simplesmente entedia, como se já soubesse disso por uma eternidade e pensava comigo mesmo como eu poderia não ter sabido disto antes se me fazia agora todo sentido do mundo.

de fato, quando aprendemos uma das muitas coisas que estão bem na nossa frente, falando de experiências de vida agora, rola uma emoção inicial e uma sensação de entendimento universal. é quase um nirvana passageiro, e um simples nó de cadarço te dará a sensação de que aprendeste algo que levarás contigo para o resto da vida e este pensamento somatizado de importância para um simples nó é que faz do momento um momento único. quando dali a alguns anos te lembrares do dia em que deu pela primeira vez o nó no sapato, terás de volta ou pouco do que foi sentir aquilo no dia, e isso faz bem. faz muito bem.

agora falar metaforicamente já não parece fazer mais tanto sentido pra mim, foi meu último "aqui bem na frente". certamente ainda usarei metáforas, mas nunca mais uma metáfora será como antes.

29.8.08

reclame andante

de que adianta reclamar do sistema?
o que você faz para mudá-lo
você formiguinha sem força
fala em quem se corrompe pelo sistema
só não se dá conta
que não importa em qual sistema você viva
sempre será ele e fará parte dele
goste ou não!

chega de utopias e conspirações
nada é tão ruim assim
olhe e observe!
veja que até no seu sistema,
depravador de mentes brilhantes,
existe um lado bom
é você que faz o seu sistema

concordo que existe um momento
que somos marionetes
e simplesmente atuamos
neste grande e incoerente cenário
mas conseguir viver
criar a sua própria realidade é fundamental
básico para suportar
a pressão constante da submissão

quem respira o próprio ar
e vive a própria realidade
é muito mais potente

chega de falar
e
faça alguma coisa!

7.8.08

tempo

me faltam palavras para o presente. me sobram sensações, sentimentos, angústias, certezas e incertezas...

o tempo altera tudo e leva e traz. quanto tempo o tempo leva pra trazer de volta o que eu quero e quanto tempo vai levar para clarear o obscuro dessas nuvens cinzas que encobrem meu sol?

de fato me faltam palavras. o silêncio pode ser puro, mas pode também ser trágico, tragicomédia que encurrala minha voz num silêncio ensurdecedor, me calo pela incerteza do espaço-tempo que me rodeia, me calo porque calar parece fazer mais sentido do que falar o óbvio e parecer seguro, tranquilo.

não prefiro o silêncio, não, apenas acho mais certo. prefiro falar, discutir, argumentar. o problema é falar e não ser ouvido, compreendido. por mais que eu fale eu não me vejo compreender e nesse diálogo unilateral prefiro me calar e pensar.

o tempo é o grande transformador e dele me valho para pensar que as inconstantes momentâneas irão partir em breve e voltarão para de onde nunca deveriam ter saído, para o além, para esse universo paralelo que a minha compreensão não quer e nem consegue entender.

só e acompanhado, frágil e seguro, sinto ou simplesmente não sinto, nada...

29.6.08

encanamento

nada pesa mais do que o vazio, as atitudes mais difíceis de se lidar são as aquelas que não existem. essas bolhas de vácuo pra onde somos empurrados contra nossa vontade e temos que aceitar isso como se fosse a coisa mais normal do mundo?

eu sei que o que eu faço nem sempre é o mais correto, mas eu não vou deixar de fazer algo que me apetece pelo que os outros pensam, não admito que as pessoas possam se preocupar tanto assim com a opinião das outras a ponto de abrir mão dos seus desejos em troca de aparências passageiras. somos todos humanos, erramos! mas acertamos também. o empirismo é parte da essência que nos compõe como espécie e eu não tenho o poder de lutar contra isso, é demais pra mim e nem quero isso também. não estou dizendo com isso que me liberto de toda essa questão "da opinião dos outros" até porque também somos, ou grande parte do que somos é determinado pela maneira como parecemos aos olhos dos outros. porém eu não abro mão de ser livre e quebrar a cara às vezes e/ou de fazer o que quero. isso é fato!

respeito quem age dessa forma e apesar de não entender, de fato, qual é o resultado positivo em toda essa "vida limitada" acredito que exista sim alguma explicação plausível para tais atitudes. afinal de contas, cada um tem suas verdades e seus princípios. existe lógica para tudo dentro de cada um.

respeito...

18.6.08

consciência

nessa vida de lógicas difusas e atratividades descompassadas existe um sentimento que deve-se manter constante: a consciência. consciência é fundamental sempre, saber o que cada atitude implica num ambiente macro de vida e respeitar a racionalidade que a alma carrega.

falar é fácil, o fazer nem sempre sai como o planejado, porém manter o trem nos trilhos, pegando desvios, sim, mas valtando ao caminho logo depois faz com que o almejado sempre pareça possível. possível, próximo e atingível. viver sem um plano não existe hoje, isso é consciente e é real.

a consciência pode não ser demonstrada a todo momento, mas quando tiveres os teus momentos de sobriedade, conversas, trabalho, dia, noite e ela aparecer, com certeza te fará mais digno e admirado. viver na loucura cansa, cansa a ti mesmo e aos outros.

uma inconcequência consciente por favor!

15.6.08

running

desconstruindo agora para reconstruir amanhã,
mais forte, mais seguro, mais!

acidez

tem aqueles dias em que tudo acorda derretendo, trazem tantas sensações que é difícil se concentrar e viver de fato. parece que o mais correto é sentar e tentar de alguma forma acabar com tudo que não se esta pensando e focar a mente em alguma coisa que fique parada! pelo menos por alguns segundos.

ok que tudo tem outro ponto de vista, analisando melhor até as situações mais fudidas podem se transformar em algo no mínimo engrandecedor. de fato... neste caso é bem isso mesmo.

27.5.08

over

lá se vai meio ano e a vida continua andando, parece que foi ontem que eu conheci as minhas meias novas e elas simplesmente desapareceram do meu armário. por que quando as coisas parecem mais certas do que nunca elas insistem em desaparecer?

ontem eu li um anúncio no jornal digital que dizia que estavam contratando novas prostitutas brasileiras na república checa. deve ser mesmo interessante viajar e vender o corpo em algum boteco em qualquer lugar do mundo, mas de preferência na europa, receber o cachê em euro é outro nível. nível que as minhas meias que sumiram não poderão conhecer.

e eu volto para as meias desaparecidas, viajo à china e sempre acabo nas meias. que falta de imaginação. que falta de controle. insistir, insistir, insistir. eu insisto no mais difícil, eu crio barreiras para mim mesmo e não desisto enquanto não quebrá-las, ou enquanto elas não quebrarem a mim mesmo.

já sei que é inútil questionar, o fato é que se estava bom não está mais e vem a onda de novidades e vem a vontade de surfar e a onda quebra mas outra se aproxima.. ahhh...

mas, enfim, se estivesse num rio límpido e de águas claras estaria sonhando com a cachoeira mais próxima. assim no meu oceano particular pelo menos tenho a opção de ficar na arrebentação ou o navegar sem destino e me deixar levar.

3.5.08

ressaca dois

abriu os olhos como que se assustasse com a própria mente, era impossível que seu cérebro que lhe parecia tão sem vida, produzisse algo como aquilo. a fumaça ainda estava no ar a sua volta. passara quanto tempo desde o início daquilo? não saberia determinar com certeza, porém, ao que tudo indicava não fora muito, pois o cigarro ainda se mantinha aceso entre seus dedos e apenas apresentava alguns milímetros de brasas mais do que antes de tudo acontecer.

o presente lhe parecia distante agora, ainda estava se recuperando do susto, porque ele fizera aquilo? o animal não fizera nada de mais, nada que pudesse resultar naquilo. mas como pudera fazer qualquer coisa se permanecia sentado no mesmo lugar de antes de tudo acontecer, com a mesma roupa, meias e cigarro aceso?

três minutos atrás ele acabara seu sanduba noturno e sentara na antiga poltrona de couro de cabra que a muito havia ganhado de sua avó materna, a poltrona já aparentava ter duas vezes a idade do dono, surrada e fedida, mas sua favorita. na mesa de apoio pegou seu cigarro amassado e o fósforo, adorava sentir aquele cheiro de pólvora antes de fumar. lembrava o tempo em que fazia bombas caseiras com os amigos da rua, quando criança.

depois disso um emaranhado de luzes surgiu e, ele não conseguia se lembrar como, mas elas o tiraram de sua poltrona e levaram seu corpo além, levara um susto do som que seu corpo produzira entrando em contato com a terra úmida, recém molhada por uma notável pancada de chuva passageira, estava em algum lugar escuro e de difícil visualização, seus olhos falhavam ao tentarem enxergar alguma forma naquela imensidão escura. definitivamente algo estava errado e ele não entendia porque e como viera parar naquele lugar inóspito.

a escuridão arrepiava, dava uma sensação de insegurança como nunca pudera imaginar sentir em toda sua vida. era pior que qualquer coisa. porque estava sentindo aquilo? sua respiração sobrepunha o que parecia um barulho de vegetação sendo agitada por vento, vento que não podia sentir, apenas ouvir. tentou caminhar, erguia suas mãos a frente do corpo tentando tocar em algo, porém sentia apenas o vazio. teria ficado cego? mas onde estava sua mobília? se estivesse em casa poderia se mover perfeitamente sem ver, e sentiria o cheiro do seu lar e os barulhos comuns de geladeira que tanto o irritavam.

os sons que ele ouvia pareciam se modificar aos poucos, aumentando e diminuindo, como se misturasse a vegetação agitada com passos, mas nem de longe nenhum dos barulhos se pareciam com o da geladeira. ele tentou se manter calmo, nem que por um segundo, tentou fechar e abrir os olhos, esfregou com força suas pálpebras, não adiantava, sem sucesso. respirou mais fundo. pensou no sol, na luz do abajur, em fogo.

fogo! o que tinha sido aquilo? fogo?

uma claridade surgiu ao horizonte, se é que se poderia chamar aquilo de horizonte, parecia uma chama alaranjada, ele correu e percebeu que ela não se aproximava, e ele corria e o ambiente a sua volta continuava estático, se virasse a cabeça a chama acompanhava o olhar, como se estivesse grudada a sua retina, piscou e a chama sumiu, assim como surgira agora tinha se apagado. ele pensou novamente na claridade, no sol, no fogo.

sim, e novamente surgiu a sua frente uma chama, desta vez mais robusta e ameaçadora, pode sentir o calor do fogo na sua face, fez lacrimejar os olhos. o fogo pareceu se alastrar e agora formava um círculo ao seu redor, num esforço que lhe causou enjôos tentou sair dali, mas o fogo se intensificou. se atravessasse o fogo provavelmente estaria morto, mas aquilo tudo não podia ser real, não era lógico. então ele pulou, correu em círculos menores que o que o cercava, gritou, deitou no chão e chorou.

ao abrir novamente os olhos estava fora do círculo de fogo. podia ver em sua volta uma vegetação média com uma mata fechada iniciando logo mais a frente, estava em uma clareira e o fogo aumentava cada vez mais, ao se concentrar e encarar o fogo ele pode ver que dentro do círculo havia alguma coisa se movimentando, e a coisa se movia rapidamente, tentava escapar do fogo como ele próprio fizera, porém o círculo estava totalmente fechado, não deixando brecha para qualquer possibilidade de fuga. ele se aproximou um pouco mais do fogo e percebeu que era um cachorro que estava preso. ele demorou alguns segundos para identificar aquele que era, não sabia como, seu primeiro animal de estimação, o cachorrinho que ganhara no seu primeiro aniversário e que o acompanhara até seus quinze anos, quando teve uma doença grave e degenerativa e morreu.

como poderia estar ali envolto naquele círculo o seu estimado animal-companheiro? ele percebera que agora seu olfato voltava e que o cheiro no ar era o de pólvora. alguém armara aquela armadilha para seu bichinho, prenderam ele e agora estavam tentando colocar-lhe fogo vivo, que judiaria. começou rapidamente a pensar em alguma solução, pois de alguma maneira teria que tirar seu companheiro daquela situação.

se deu conta de que quando pensara no fogo este surgiu, então sem hesitar pensou na escuridão, em água, em terra, mas nada apagava o fogo. ele mesmo havia iniciado aquilo? ele estava queimando seu próprio animal, como quem incinera papéis antigos ou diários que contenham assuntos dos quais não se queira lembrar? sofrera muito ao perder seu companheiro na primeira vez, não suportaria passar por tudo aquilo novamente, estava tão perto e teria que fazer alguma coisa para evitar esta tragédia.

jogou-se em direção das chamas, talvez se fosse muito rápido daria tempo e ambos saíssem com vida. sentiu o fogo queimando suas roupas e o calor consumindo sua pele de maneira brutal, o calor era extremo, dificilmente sobreviveriam. quando finalmente atravessara a parede densa e chegou ao centro do círculo que se encontrara a minutos atrás, não estava mais ali o seu amigo, sumira, desintegrara-se junto com o fogo e a escuridão. a fumaça ainda o circulava e o cigarro recém aceso permanecia em suas mãos. a geladeira voltara a lhe incomodar os ouvidos e a poltrona de couro lhe parecia mais confortável do que nunca.

1.5.08

this is how the life is

empty and full
alone, together







are you ready?
get ready!

28.4.08

dreams

escrever sobre sonhos é tão subjetivo quanto eles. mais ainda em um dia desses que se tem um daqueles sonhos que misturam tanto os fatos que por mais que se saiba que não passou de um sonho é difícil não acreditar nessa realidade paralela.

porque sonhamos? o que os sonhos significam? pois é, as mais diversas explicações aparecem por aí, acredita-se no que se quer acreditar, mas que um sonho significa alguma coisa, isso é inegável. sonhamos porque o cérebro insiste em não descansar, sonhamos com quase todo que podemos sonhar, com o que conhecemos e com o desconhecido, sonhamos acordados...

tem aqueles que insistem tanto em não desligar o aparelinho de pensar que mesmo com uma anestesia geral, ainda assim, se mantém consciêntes e escutam, pensam, sentem! será sonho ou realidade? nem freud explica.

dizem que os sonhos são responsáveis pelas sensações de "deja vu", dizem que os sonhos são sinais, precentimentos... wathever, mas uma coisa é certa, os sonhos me intrigam.

9.4.08

i saw the flowers

press the play
feel the bass
feel the pulse
close your eyes
shake your head
blink, blink, blink

there they are
the flower
or whatever


"round and roud there's a sound that is running through my brain"

química

somos todo química
moléculas arranjadas e desarranjadas
reações constantes


quem era aquela mulher que me dizia, quando pequeno, que eu não era nada mais do que uma baleia, um leão ou um macaco. que me dizia que as plantas respiravam e que me ajudavam a respirar.
pois é, ainda hoje existem grandes verdades que parecem brincadeira de tão extraordinárias a primeira vista. a poucos anos quem dissesse que estaríamos nos vendo e falando por aparelhos sem fio do tamanho da palma da mão de qualquer lugar do planeta para qualquer outro era considerado maluco.
quem não se surpreende com a facilidade dos pequenos e a sua adaptação as novidades da vida, hoje uma criança de quatro anos está usando a internet, microondas, namorando..

nesse ritmo existem muitas coisas que são deixadas de lado e quando vêem à tona surpreendem, abismam, nos fazem entender que mesmo com tudo que nós, humanóides, inventamos, existem princípios básicos que não devemos abandonar.


quando por alguns momentos podemos controlar a química da qual somos formados a única conclusão a que se chega é que todos esses "brinquedinhos" só sevem para disfarçar o óbvio. tudo do que verdadeiramente precisamos está dentro de nós. nosso corpo pode produzir tudo que quiser, se estimulado para que o faça.
alegria, adrenalina, euforia, tristeza, desconforto, cansaço, emoções e sensações em geral podem ser controladas , todo dia, a cada momento. o poder e a lógica do nosso corpo é tão sensacional que com certa ajuda química se pode ter a real noção de como você se sentiria no lugar de outra pessoa. o nosso corpo é um labirinto de várias saídas, normalmente cada um escolhe a sua. quando você conseguir ver o labirinto como um todo saberá como todos reagem e se sentem.
é tudo tão lógico que parece fantasia, não é possível que se resuma a isso, somos estimulados a acreditar que a complexidade do universo é infinita e que somos um minúsculo grãozinho componente deste sistema complexo, mas se puderes ver o labirinto e suas possibilidades, perceberá que nada é tão complexo assim, está tudo dentro de ti. afinal como diria a professorinha, o que muda é a maneira como as células se organizam, mas a essência é sempre a mesma!

8.4.08

sentindo o sentido

como é importante sentir.
as sensações são as mais variadas possíveis
dia após dia, elas mudam e se repetem,
dificultam e facilitam a vida
expressão...

sentir o mesmo que o outro é um presente
raramente encontrado
como é importante saber,
saber que existe alguém que sente o mesmo
seja o mesmo o que for

compartilhar sensações é se compartilhar
é desfrutar de um universo paralelo integrado

quando sentires o que eu sinto saberemos
sentiremos que não somos tão individuais assim
dessas sensações tudo pode se multiplicar
e um mundo comum surgirá

13.3.08

adiar- reverter- descontrolar- ... -se

o poder que a gente tem sobre as próprias decisões é tão controlado!

se eu decidir me mandar agora para os estados unidos e viver lá por uns tempos, só pra ver qual é que é, eu não posso. por quê? por uma infinidade de questões que foram pré determinadas por mais uma infinidade de regras e questões tolas.

se eu quiser me isolar do mundo dentro de mim mesmo agora, eu não posso! por outras muitas razões que mais uma vez me foram impostas e eu, como mero nada, não posso lidar e fazer alguma coisa para mudar esse cenário milenar.

a minha liberdade é tão restrita que não sei se ela ainda existe. das vinte atividades que realizo durante cada dia já não tenho certeza se eu realmente quero quero fazer alguma delas ou se são apenas mais uma imposição para coexistir nesse planeta regrado.

legal ou ilegal, porra! quem inventou essa parada?!
certo ou errado?! ah! que papinho medieval...
quando as pessoas vão se dar conta de que regras existem porque o bom senso nos é negado. se eu pudesse usar o meu bom senso eu não faria coisas que faço só porque são ilegais ou porque sou desafiado a fazer. se o bom senso mandasse talvez nada funcionasse tão "direitinho", mas afinal, quem quer ser "direitinho"?



"por favor senhor, eu quero a minha liberdade de que tanto falam, tô nessa fila a anos, quando que vai ser a minha vez? falando nisso, não vi ninguém até agora com liberdade nenhuma aqui!
que fila para liberdade é essa se ninguém se liberta!?"

"calma meu filho, um dia a liberdade vem! enquanto isso toma uma amostrinha aí e espera mais um pouco..."

"um pouco?!"

"é... só hoje foram milhares de libertos pelo mundo inteiro"

"ah é?! mas e onde eles estão?"

"no paraíso meu filho, no paraíso..."

25.2.08

"

“Money is not real. Does not matter, but it seems that yes.”

24.2.08

ah! a vida!

às vezes é difícil pensar sobre a vida. bom, eu falo da vida como um todo... não é possível vê-la, saber o que vai ser. é claro que isso parece óbvio, o futuro é o futuro, inatingível, incontrolável. será?

é complicado pensar no momento que se vive e tentar enxergar este como parte de uma longa história, tentar decifrar qual é a relação que as ações do momento terão no todo. como parece duro viver nestes momentos, é como se cada ato impensado pudesse estragar todo planejamento de tempos, simplesmente por um impulso momentâneo.

o mais fudido de tudo é saber que o importante mesmo é olhar para trás e não se arrepender, ver que os erros e acertos levaram a coisa certa. mas quão difícil é saber se está se fazendo a coisa certa agora para que isso aconteça.

como é intrigante pensar na própria vida como um grande livro ou filme e tentar de alguma forma ler e assistir a distância, julgar as próprias atitudes como se elas pertencessem a outra pessoa, o estranho você! e no momento que você está lendo o livro, de repente o presente se torna uma simples página insignificante, um dos momentos sem emoção do livro, uma daquelas partes em que se lê rápido para chegar logo a um momento mais intrigante, emocionante, um momento que te faça realmente achar que vale a pena continuar lendo, vivendo.

já não se sabe se este o acaba bem ou mal, pois esssa é uma daquelas perguntas sem resposta, em que o questionado muda de assunto ou simplesmente dissimula. o livro está incompleto e cada nova palavra pode mudar completamente o rumo da história, pensar no futuro desta é como se enganar, pois quando ela de fato for revelada talvez nada daquilo realmente aconteça.




*after blow

6.2.08

santa ignorância

pior
do que não ter opinião
sobre as coisas
é
ter opinião
sem fundamentos!

24.1.08

life

you say life is a dream where we can't say what we mean
maybe just some roadside scene that we're driving past
there's no telling where we'll be in a day or in a week
and there's no promises of peace or of happiness

well is this why you cling to every little thing
and polverize and derrange all your senses
maybe life is a song but you're scared to song along
until the very ending

oh, it's time to let go of everything we used to know
ideas that strengthen who we've been
it's time to cut ties that won't ever free our minds
from the chains and shackles that they're in

oh, tell me what good is saying that your free
in a dark and storming sea
you're chained to your history, you're surely sinking fast
you say that you know that good lord's in control
he's gonna bless and keep your tired and so restless soul
but at the end of the day when every price has been paid
your gonna rise and sit beside him on some old seat and gold
and won't you tell me why you live like your afraid to die
you'll die like you're afraid to go

oh, it's time to let go of everything we used to know
ideas that strengthen who we've been
it's time to cut ties that won't ever free our minds
from the chains and shackles that they're in

well life is a sogn 'cause we're all walking in our sleep
you could see us stand in lines like we're dead upon our feet
and we build our house of cards and then we wait for it to fall
always forget how strange it is just to be alive at all


*patrick park - life is a song

19.1.08

óculos

mudanças de humor.
pessoas desaparecidas.
mentes fechadas.
doses excessivas de convívio.




argh! me traz uma bebida...




deixa eu colocar meus óculos escuros

me deixa,
meu mundinho às vezes é o melhor lugar do mundo!

premonições

hoje eu tive um sonho maluco, irracional praticamente.

sonhei que eu via o futuro, e que por mais que as coisas iam acontecendo de maneira tranquila e previsível tinham algumas que extrapolavam e fugiam do possível, do real, mas que por mais excêntricas que elas pudessem ser, eu, de alguma forma, já sabia que elas aconteceriam e como os fatos seguintes influenciariam os próximos acontecimentos.

assim, eu parecia ter algum controle sobre as coisas, alguma influência. mesmo naquilo que ia contra minha vontade, eu parecia querer que acontecessem, descontroladamente inconsequente, me machucando com as minhas atitudes, com as cenas que eu sabia que iriam acontecer e que não me esforçava nada para mudar.

quando acordei parecia que as cenas estavam ainda acontecendo, as coisas continuavam a seguir esse padrão, os fatos se repetiam, as atitudes eram previsíveis. quão estranho é conhecer as coisas a ponto de saber como vão reagir e se comportar. é como saber que a água sempre irá entrar em ebulição aos 100 graus ou que o expediente na sexta sempre vai demorar mais para terminar.

quanta previsibilidade.

experimentar muito do novo causa dependência, pobre é aquele que muito sabe pois pouco se diverte com o novo, e o novo é a principal fonte de alegrias que alguém pode ter.

10.1.08

pegadas


às vezes é difícil falar, são aqueles momentos em que as palavras ficam pequenas se comparadas a beleza das imagens, essas imagens produzidas pela natureza, ou pela mente se formam e o silêncio fala por si só.
às vezes fica complicado explicar as sensações, é aí que o silêncio fala, grita!

impossível não ouvir ou não notar a amplitude dessa mensagem

tem momentos na vida que não se deve tentar entender mais nada, basta sentir

3.1.08

2008

esse vem com um dia a mais pra ver se cabem todas histórias..

como diria o erasmo carlos, meu amigo,
"pode vir quente que eu estou fervendo"