ainda posso ouvir o barulho das corredeiras, como se fosse música, soando calmo aos ouvidos. quando tudo parava por algumas horas, menos o barulho das águas que continuavam passando e se atirando sem medo direto para a queda de quinze metros de altura. aquela água podia não saber mas cada gota produzia uma sensação nova e cheia de importância. meditar na cachoeira faz viajar, renova o espírito que se prepara para passar por mais um marco da existência.
cada minuto parece lento agora, como pode tudo estar tão lento e tão rápido ao mesmo tempo? olho para trás e vejo que já existe uma história, me dou conta de que já fui muito feliz e também um pouco triste, já chorei e já sorri, já tenho enfim algumas histórias para contar e vejo que não é só a beira da morte que se passam filmes da vida na nossa cabeça, ou talvez eu esteja a beira da morte e não sei, mas o que sei é que nessas épocas pré-aniversário fica-se mais pensativo e mais corajoso. talvez até arriscando mais e deixando de medir algumas coisas.
o importante mesmo é depois do agito, depois de passar as corredeiras e se atirar no mundo sem temer, ter um tempo para se ouvir caindo até o fim da cascata e tirar dessa experiência o que de bom que ficou. na vida tudo passa, mas algumas coisas sempre ficam nessa grande peneirona. que fiquem as coisas boas e que comece um ano cheio de descobertas e redescobertas. que o caminho até a queda livre continue muito bem acompanhado pedalando, cantando, festiando, vivendo, sonhando e todos os gerúndios que tanto amamos.

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