nequeles dias em que se acorda e continua dormindo é difícil não pensar que teria sido melhor se continuasse na cama mesmo, fazer qualquer coisa com sono é muito complicado, principalmente se o afazer é uma daquelas coisas tediantes que mesmo durante a atividade o corpo se recusa a acordar.
nada melhor nesses dias que tomar um bom banho! termina com toda a indisposição e ainda da um "up" no astral. quando era criança eu tinha esse problema com o banho, quanto menos melhor, era carinhosamente chamado de cascão pela minha família. mesmo depois de um dia de agito e muita brincadeira eu achava desnecessária toda aquela função de tirar a roupa, lavar o corpo, colocar uma outra roupa. era demais pra mim. preferia dormir com o cheiro do dia, lembrando de todas as diversões que este tinha me proporcionado. mas era muito difícil de fazer com que o pai e a mãe compreendessem minha posição. chegava a teimar, espernear, chorar em alguns dias para não tomar banho. claro que toda essa indisposição se tornava ainda maior nos dias de inverno em que "eu nem suei mãããe!!!"
passado todo o discurso inicial ao "não-banho", nos dias em que conseguiam me convencer a entrar no chuveiro, eu não saia de lá nunca mais. agora que já estava molhado ia curtir ao máximo. eu imagino que essa era a razão pela qual meu pai me deixava escapar do banho tantas vezes, pois era ele quem vinha me puxar pra fora quando depois de quase quebrar a parede que divide a cozinha e o banheiro e eu mesmo assim continuava lá, escovando os pés ou lavando o cabelo pela nonagésima vez ou cantando os grandes "hits" dos cavaleiros do zodíaco ou lavando os azulejos ou brincando com o chuveirinho.
eu já sabia que depois de todo banho que tomasse eu iria levar sermão, meu pai fazendo seu habitual discurso sobre energia elétrica e zilhões de litros de água que eu disperdiçava. eu podia falar com ele o discurso inteiro se eu quisesse, era como as falas do chaves que de tanto se repetir ficavam gravadas na pastinha de memória inútil no cérebro. sim, porque no próximo banho eu já não pensava nem em água nem em energia elétrica, só queria era me divertir gargarejando até doer a garganta.
depois de tantas aventuras no banho acabei me acostumando a tomar uma ducha. agora virou até sistema de acorda. mas sempre que entro no banho é impossível de não lembrar das minhas viagens aos mais distantes lugares no tempo que já aconteceram naquele cubículo. e mesmo já conseguindo enxergar pra fora da altíssima janelinha do banheiro o banho ainda rende umas músicas dos cavaleiros de vez em quando.
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