nem sempre os momentos são os melhores e às vezes penso que todo esse esforço é em vão! de que adianta pensar na obra pronta se ainda faltam tantos espaços a serem preenchidos? será que está longe o momento de olhar para minha parede e perceber que o resultado já é satisfatório o suficiente para me sentir confortável com todo esse conjunto de incertezas que o processo produtivo envolve?
me sinto criança, frágil e bobo, por viver sempre esperando pelo momento de acordar e continuar minha colagem de fragmentos, meu jogo inacabado, minha re(i)novação. têm esses momentos quando me dou conta de que sigo pensando na vida como se fosse uma grande obra de arte e não entendo se isso é bom ou ruim. sensibilidade é necessária para criar e experimentar, mas torna também algumas situações complicadas de processar. a vida pode ser muito mais dura para os sensíveis e cada vez mais me vejo enfrentando a fragilidade do meu ser e aprendendo com ela.
quando me pego olhando muito tempo para alguma situação cotidiana e me divertindo com as possibilidades que cada um destes momentos tem, como num filme com múltiplas continuações, ou quando observo detalhes de uma folha seca qualquer, com algumas partes faltando e marcas pela sua extensão e penso nos lugares por onde ela esteve, voando, levada com o vento e posso sentir no meu rosto a brisa do que imagino ser uma folha, leve o suficiente para ser levado ao bel prazer do vento, como uma pena recém caída que simplesmente vai e gira e desce e sobe. quando sinto isso sei que minha obra de arte está no caminho certo. mesmo que alguns dos pedaços deste grande mosaico estejam desalinhados agora, depois de rejuntados farão parte de um todo bem composto e bonito de se ver, com suas imperfeições todas juntas formando um emaranhado de histórias, cada pedacinho com um significado, símbolos de existir e da existência. da minha existência.
